quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Serão iguais?


O estudo dos gémeos é muito importante para a psicologia uma vez que se trata de uma situação natural, e apesar disso, podem ver mais rigorosamente a influência do meio no comportamento e desenvolvimento humano.
Os gémeos monozigóticos, que são os utilizados nestes estudos, que provêm do mesmo zigoto e por isso têm uma informação genética muito semelhante, podem ser muitos idênticos como muito diferentes, dependendo se são criados separados ou juntos respetivamente.
Até aos anos 70, os estudos feitos com os gémeos não eram de confiança no sentido em que os cientistas inventavam dados e não havia ética nas investigações nem métodos organizados de trabalho. Hoje em dia, estes estudos são realizados com muito mais cuidado, muito mais rigor e são usados principalmente na genética do comportamento, uma disciplina da Psicologia.
Sabe-se que aproximadamente 1 em cada 250 nascimentos são de gémeos verdadeiros e a maioria das pesquisas são feitas em países escandinavos porque estes governos mantêm e possuem grandes bancos de dados sobre os seus cidadãos.
Voltando à afirmação inicial, qual a explicação para tal facto ser possível? Isto é, como é que é possível que os gémeos criados separadamente sejam mais parecidos do que aqueles que são criados juntos?
A resposta é que as pequenas diferenças no caráter inato, isto é, à nascença, são exageradas pela prática e não reduzidas. Se um é mais ativo e brincalhão que o outro, eles gradualmente irão exagerar essa diferença.
Isto acontece, porque apesar das semelhanças das condições biológicas e ambientais, os gémeos vão progressivamente distinguindo-se para se diferenciarem em duas pessoas distintas e singulares, e apenas os gémeos criados juntos têm a preocupação de reformular as suas ideias de maneira a que se diferenciem um do outro. Os que vivem separados não estão sujeitos às mesmas condições logo serão por si diferentes.
A esquizofrenia assim como o autismo, dislexia, atraso na linguagem, deficiência na linguagem, depressões graves, distúrbio bipolar, distúrbio obsessivo-compulsivo e orientação sexual são algumas das alterações que acontecem nos gémeos verdadeiros uma vez que têm o mesmo ADN e ainda vivem no mesmo meio.
Em geral, os gémeos verdadeiros, como o próprio nome indica, são o tipo de irmãos mais parecidos que existe e por vezes pensam e sentem de modos tão semelhantes que levantam a hipótese de estarem ligados por telepatia, cuja definição não está muito bem definida e estudada. São ainda muito semelhantes a nível cognitivo, como na inteligência verbal, matemática, também no grau de satisfação com a vida e em características de personalidade como serem introvertidos, conscienciosos, bastante recetivos a novas experiências e aderirem facilmente a propostas.
Têm atitudes muito semelhantes perante questões polémicas, religião e música. São parecidos não só em testes de papel e lápis, mas também em comportamentos da vida particular como praticar exercício, cometer crimes, envolver-se em acidentes, ver televisão e ainda na facilidade a divorciar-se.
Em suma, podemos dizer que os estudos dos gémeos demonstram que diferentes mentes podem advir de diferentes genes, uma vez que o nosso desenvolvimento depende quase por inteiro do meio onde somos criados. Contudo, o papel dos genes não pode ser ignorado uma vez que estes são o impulso da vida.

Joaquim Oliveira

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