quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Evolução do conceito de comportamento

Jean Piaget
O esquema explicativo proposto pelos behavioristas R=F(S) não resiste à constatação que se pode fazer com exemplos do dia-a-dia, vividos ou observados por todos nós. Essas situações servem para pôr em causa o rigoroso determinismo estimulo-resposta defendido pelos behavioristas. Perante a mesma situação, é grande a possibilidade de surgirem respostas diferentes. Por exemplo, quando ocorre um acidente (S), as respostas dos sujeitos que o presenciam não são as mesmas: um pode socorrer a vitima, outro pedir ajuda e outro impressionado afastar-se. 
Paul Fraisse
Além disso, o mesmo sujeito, perante a mesma situação, pode em momentos diferentes, comportar-se de forma distinta. Uma das criticas mais contundentes ao conceito de comportamento defendido pelos behavioristas foi apresentada por Paul Fraisse e Jean Piaget que propunham uma interpretação mais dinâmica do comportamento.

Para estes psicólogos, o comportamento é a manifestação de uma personalidade (P) numa dada situação (S). O esquema explicativo que propõem é mais adequado aos comportamentos humanos, dado que tem em conta quer as determinantes do meio quer a personalidade do sujeito R=F(SDP) O comportamento depende da interacção entre a situação e a personalidade do sujeito. A dupla seta (Dreflecte o carácter dinâmico da relação: não se pode encarar a personalidade independentemente da situação. Produto de um processo complexo, no qual intervêm factores internos e externos, a personalidade constrói-se no contexto do meio, nas diferentes situações vividas pelo sujeito. Por outro lado, o modo como a situação é encarada, interpretada, depende também da personalidade e das experiências anteriores do individuo. Para alguns autores o que é importante para explicar o comportamento é o modo como o individuo integra os dados da situação tendo em conta a sua personalidade e experiências. Muitos outros, chamam a atenção para a importância das significações, isto é, para aquilo que uma situação representa para um sujeito.

Marco Pereira

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Surreal! – A crónica dos arquitetos dos sonhos

O Surrealismo foi um movimento artístico que teve origem em França, nos anos vinte. Este movimento teve vertentes na pintura, escultura, literatura, teatro e cinema e foi influenciado de forma significativa pelas teorias psicanalíticas de Sigmund Freud, que por sua vez, demonstram a importância do inconsciente no que diz respeito à criatividade do ser humano. Alguns dos seus representantes mais importantes são, na literatura, André Breton, considerado pai da tendência e autor do Manifesto Surrealista e, na pintura, Salvador Dalí.

Este estilo apresenta um conjunto de características do abstrato, do inconsciente e do irreal, que se relacionam entre si. De acordo com os surrealistas, e tal como Freud pensava, a mente humana deve transpor as exigências impostas pela lógica e pela razão. Defendem também que a atividade artística deve ir para além da consciência do dia-a-dia, ultrapassando os padrões comportamentais e morais estabelecidos pela sociedade, para expressar o mundo do inconsciente e dos sonhos. Portanto, os artistas ligados ao surrealismo rejeitavam os valores ditados pela burguesia na época, tais como a família e a pátria. Criavam então obras repletas de humor, fantasia e contralógica.

O Surrealismo salienta ainda os impulsos provenientes das regiões menos exploradas da mente humana, pelo que os seus temas advêm normalmente do inconsciente: os sonhos, a loucura, as alucinações, as alterações de humor e os delírios. Manifesta-se através de temas simbólicos, incomunicáveis e pessoais e admite que o mundo irreal é tão verdadeiro quanto o mundo real. 

O homem, segundo André Breton, “esse sonhador definitivo”, quis assim provocar a revolução na arte no mundo enfraquecido pela primeira guerra mundial. Quis conhecer uma realidade que não fosse a exterior, igualmente lógica, e entregou-se ao pensamento livre, espontâneo e irracional, sem preocupações de ordem estética ou moral. Assim, vasculhou na alma o mundo dos sonhos e deixou que estes fossem a sua temática delirante. 

Hoje sabemos que Freud refutava a ideia de que o seu objeto de estudo fosse o mesmo que o objeto de desejo dos surrealistas, o inconsciente, uma vez que o psicanalista acreditava que o automatismo psíquico na arte era consciente. 

No entanto, Freud com a invenção da psicanálise e os surrealistas com a invenção de uma forma de expressão justa para com a imaginação e grandeza do ser que não é palpável, propuseram um ponto de partida à descoberta da mais pura infância da mente, aquela de onde crescemos apenas para nos começarmos a conhecer.

Maria Oliveira

domingo, 27 de novembro de 2011

Construtivismo de Piaget

Psicólogo e epistemólogo dos processos mentais (mais concretamente cognitivos), nasceu na Suíça, em Neuchêtel, no dia 9 de Agosto de 1896. Jean William Fritz Piaget, realizou o seu doutoramento em zoologia e estudou psicologia, simultaneamente com psiquiatria, em Zurique. 
Psicólogo que se tornou mundialmente conhecido pelos seus trabalhos acerca do desenvolvimento do pensamento e da linguagem na criança (Piaget priviligia o estudo de um único caso, no entanto executando-o intensivamente), contribuindo, deste modo, para o estudo do mecanismo geral da inteligência adulta (tendo, anteriormente, elaborado um conjunto de pesquisas sobre a estrutura da inteligência no Instituto Jean-Jacques Rousseau, em Genebra). Piaget efetuou então, essa mesma investigação, recorrendo à observação dos processos comportamentais das crianças, no seu ambiente natural. Ou seja, em locais nos quais estas não se sentissem observadas ou até mesmo constrangidas em prol de uma análise mais fiel – sem mudanças de comportamento (visto que isso poderia acontecer se se encontrassem em circunstâncias diferentes das habituais).
Na generalidade, os seus estudos incidem sobre a forma como se constrói o conhecimento e a génese das estruturas psico-cognitivas e afetivas dos indivíduos, processo que, de acordo com Piaget, ocorre segundo determinados estádios de desenvolvimento, com uma sucessão previsível. Estes estádios ou etapas caracterizam diferentes momentos da evolução física, intelectual e social de cada ser humano e constroem-se, segundo este autor, através de “uma calibragem progressiva, uma passagem perpétua de um estado de menor equilíbrio a um estado de equilíbrio superior”. São, então, estas etapas que constituem um processo que é denominado de construtivismo de Piaget. Este processo, apoia-se em estruturas cognitivas que se vão interligando, numa sucessão significativamente regular, flexível e cada vez mais complexa.
Desta forma, o construtivismo salienta a capacidade que cada pessoa tem em construir o seu próprio processo evolutivo e de aprendizagem, o qual tem um forte influência e relação direta com o meio, nomeadamente no que diz respeito à interação estabelecida com os objetos, acontecimentos e pessoas, ao longo do tempo (como resposta a estímulos exteriores). É aqui, nesta mesma interação que surge a óbvia oposição ao behaviorismo que, por sua vez dá ao meio um papel muito mais importante, colocando o individuo como um recetor passivo na influência do ambiente no qual está inserido.
 No crescimento cognitivo, Jean chama a atenção para a atividade da criança sobre o seu meio ambiente, que resulta por um lado, do seu interesse, curiosidade e necessidade de ação, e por outro, das estruturas físicas e psíquicas que possui. Assim, verifica-se uma relação estreita entre a constituição e desenvolvimento do individuo (o que a criança é capaz de fazer fisicamente) e a evolução pensante, como meio de compreensão do mundo que o rodeia. Assim sendo, para este psicólogo, um ser humano para ser considerado adulto necessita de “preencher” alguns requisitos a vários níveis. Ser adulto, do ponto de vista fisiológico, é ter a capacidade de ser reproduzir. Já do ponto de vista psicológico, o individuo tem de ser capaz de perspetivar o seu futuro, de saber lidar com o sentido de responsabilidade e de conseguir formar laços afetivos com as pessoas que mais se idêntica. Cognitivamente, ser adulto é sinónimo da realização de processos mentais mais complexos, extrapolando do concreto e elaborando associações de conhecimentos que se interligam.
 Este conjunto de “requisitos” é a prova teórica da prespetiva psicóloga de Piaget em relação ao pensamento humano (processos mentais). É, sem dúvida, uma perspetiva evolutiva que rejeita, de certa forma, a teoria da “tábua rasa”, visto que o individuo não se deixa influenciar passivamente pelo meio – interage com o mesmo.

Cesarina Ferreira

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Erro de Descartes - António Damásio


António Damásio estudou um paciente que teve um acidente na sua parte cerebral. Elliot, o sujeito do acidente não teve problemas na parte visual, da fala e nos seus movimentos. António Damásio fez diversos testes de QI, além de outros tipos de testes de inteligência. Surpreendentemente, Elliot teve resultados muito bons, às vezes melhor do que a média da população, provando que era dono de um intelecto saudável. 

Ao longo da convivência com Elliot, António Damásio verificou que Elliot contava sobre a tragédia da sua vida de forma impassível. Com o passar do tempo, notou que Elliot quase nunca se zangava, nem se incomodava com as milhares de perguntas repetitivas de Damásio. Num outro teste, foi colocado estímulos visuais carregado em frente de Elliot como: pessoas afogando-se, terríveis e terramotos. Elliot, impassivo, fez um comentário que abriu os olhos de Damásio: "sinto que meus sentimentos mudaram após o acidente", ou seja, Elliot constatou coisas que antes lhe causavam emoções fortes, agora não lhe causavam nenhuma reação, nem positiva, nem negativa.
De fato, segundo Damásio, nenhuma emoção era muito intensa em Elliot, nem tristeza nem alegria. tanto o prazer como a dor pareciam ser de curta duração.


Descartes acreditava que o corpo era separado da mente. A mente só precisava do corpo para poder funcionar, fora isso, não havia nenhuma relacção entre eles. António Damásio acredita justamente o contrário, que corpo e mente estão intimamente relacionados: a mente comanda o corpo inteiro, mas são as sensações que o corpo manda para mente que induzem a mente funcionar daquela maneira, contrapondo o dualismo cartesiano no qual a alma (razão pura) é independente do corpo e das emoções.



Rui Leitão

O consciente e o inconsciente na forma de um Iceberg


A Mente humana esta dividida em duas partes a mente consciente e a mente inconsciente.

À semelhança de um iceberg, a parte escondida e submersa representa 2/3 do nosso ser, enquanto a nossa parte consciente representa 1/3 do nosso ser.
É com a mente consciente que fazemos cálculos aritméticos, que pensamos e racionalizamos, e a mente inconsciente é o reservatório que possuímos onde se guardam todas as experiências da nossa vida, as emoções, as  vivências…  tudo fica registado. 
O consciente tem acesso às informações que estão guardadas no inconsciente quando precisa racionalizar, estas informações são automaticamente passadas ao consciente na forma de memórias, instintos e sensações.
O Corpo é o “hardware” e a Mente o “Software”, e para tratar o software, apenas a programação é eficaz.

Rui Leitão

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Psicanálise de Freud

A psicanálise caracteriza-se como uma corrente da Psicologia que busca o fundamento oculto dos comportamentos e dos processos mentais, com o objectivo de descobrir e resolver os conflitos intra-psíquicos geradores de sofrimento psíquico. Trata-se, ao mesmo tempo, de uma disciplina científica que visa descobrir e mapear as estruturas da Psique e de um método terapêutico, assente numa relação profunda entre o psicanalista e o paciente.


Uma das mais importantes descobertas de Freud é a de que há uma sexualidade infantil: o psiquismo humano forma-se a partir dos conflitos que, desde o nascimento, confrontam os instintos sexuais (a Líbido) e a realidade. Podemos dizer que, em termos psicanalíticos, nós somos o resultado da história da nossa infância. Outra descoberta importante é a de que a nossa mente consciente não controla todos os nossos comportamentos. A descoberta do inconsciente trouxe uma revolução à Psicologia e à forma como esta encara o ser humano. 


O desejo e a insatisfação são elementos inerentes à nossa vida psíquica. Todos os nossos comportamentos resultam duma fonte energética inesgotável e cuja manifestação assume múltiplas formas… Trata-se do núcleo instintivo que dá vida à nossa Psique, constituído por duas polarizações antagónicas: A Líbido, o desejo sexual, a que Freud deu o nome de Eros. E o impulso de morte, ligado à agressividade (auto e hetero dirigida), a que Freud deu nome de Thanatos. A nossa infância “persegue-nos” ao longo de toda a nossa vida, uma vez que é nesse período que a nossa personalidade se desenvolve. Ao longo da infância o inconsciente vai dividir-se e dar origem às outras instâncias da Psique. Por isso passamos por períodos de crise, de ruptura e de reconfiguração das nossas estruturas psíquicas. 




O inconsciente corresponde aos conteúdos instintivos, hereditários, da mente, bem como aos conteúdos recalcados ao longo da história de vida do indivíduo. O inconsciente não esquece nada, todos os incidentes da história de vida do indivíduo ficam aí retidos e guardam a mesma força e vivacidade do momento em que foram vividos. O inconsciente é imune ao tempo. Os processos que estão na origem das neuroses, são idênticos aos que servem de fundamento à vida psíquica saudável, pelo que é possível usá-los para conduzir os pacientes à solução dos seus conflitos psíquicos. E esses conflitos marcam a nossa personalidade e tornam-nos únicos.



Por isso a psicanálise assenta na análise das mensagens que o inconsciente dos pacientes envie à consciência, através dos sonhos, dos actos falhados, das fobias e dos desvios comportamentais. 


Mas, para além disso, existe um mecanismo de segurança que impede que os conteúdos ameaçadores da sanidade mental e da sobrevivência física ou social do indivíduo acedam à consciência: trata-se da barreira da Censura que é responsável pelo recalcamento desses conteúdos perigosos. Esta instância daria lugar aos mecanismos da defesa do Ego, quando Freud desenvolveu a sua teoria psicanalítica.


Luís Lopes

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Parábola dos porcos

Jesus pregava em todos os lugares por onde passava: casas, montes, praças, sinagogas e nas praias. Os seus ensinamentos eram ouvidos por uma multidão que o seguia onde quer que fosse. Todos admiravam a sua sabedoria. Jesus ensinava através de histórias: as chamadas parábolas.
A parábola dos porcos
Quando Jesus chegou aquela terra, veio-lhe ao encontro um homem da cidade, possesso por demónios, que havia muito tempo, não vestia roupa, nem morava em casa, mas nos sepulcros.
Quando ele viu Jesus, gritou, prostrou-se diante dele, e com grande voz exclamou: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Rogo-te que não me atormentes - porque Jesus ordenara ao espírito imundo que saísse do homem, pois já havia muito tempo que se apoderara dele; e guardavam-no preso com grilhões e cadeias; mas ele, quebrando as prisões, era impelido pelo demónio para os desertos.
Perguntou-lhe Jesus: Qual é o teu nome? Respondeu ele: Legião; porque tinham entrado nele muitos demónios. E rogavam-lhe que não os mandasse para o abismo. Ora, andava ali pastando no monte uma grande manada de porcos; rogaram-lhe, pois que lhes permitisse entrar neles, e Ele assim fez. E tendo os demónios saído do homem, entraram nos porcos; e a manada precipitou-se pelo despenhadeiro no lago, e afogou-se. Quando os pastores viram o que acontecera, fugiram, e foram anunciá-lo na cidade e nos campos. Saíram, pois, a ver o que tinha acontecido, e foram ter com Jesus, a cujos pés acharam sentado, vestido e em perfeito juízo, o homem de quem havia saído os demónios; e se atemorizaram.
Os que tinham visto aquilo contaram-lhes como fora curado o endemoninhado.
Então todo o povo da região dos Gerasenos rogou-lhe que se retirasse deles; porque estavam possuídos de grande medo. Pelo que ele entrou no barco, e voltou. Pedia-lhe, porém, o homem de quem haviam saído os demónios que o deixasse estar com ele; mas Jesus o despediu, dizendo: Volta para tua casa, e conta tudo quanto Deus te fez. E ele se retirou, publicando por toda a cidade tudo quanto Jesus lhe fizera.

Hugo Boss

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Qual a importância da Psicologia?

Nos dias que correm, nem todos atribuímos a devida importância ao papel que a psicologia desempenha nas nossas vidas. Mais do que uma ciência que estuda o comportamento e os processos mentais, a psicologia tem como foco principal o indivíduo, o ser humano, pelo que se aplica em todos os momentos da nossa existência, nas diferentes formas através das quais nos expressamos.

A psicologia começa a fazer parte das nossas vidas logo a partir da infância, pois para além de esta ser um período de grande desenvolvimento físico, é também um período no qual o ser humano se desenvolve psicologicamente. A infância envolve mudanças graduais no comportamento de uma pessoa e a aquisição das bases da sua personalidade. Por estes motivos, os pais de uma criança possuem um papel fundamental no seu desenvolvimento psicológico, pois são os principais responsáveis por cuidar da criança, através da aprendizagem de bons hábitos comportamentais e do cumprimento das suas necessidades.

As necessidades psicológicas de uma criança são normalmente estabelecidas pelas aptidões e pelos traços de personalidade que os pais esperam que o seu filho desenvolva. Algumas destas necessidades são incentivadas pela sociedade em geral, outras apenas em algumas culturas. No entanto, todas as crianças possuem certas necessidades psicológicas, tais como sentir-se amadas pelos pais. Muitas vezes, quando estas necessidades não são preenchidas, as crianças podem vir a desenvolver sérios problemas emocionais.

A psicologia está também presente nos processos educativos. A aplicação da psicologia no ensino e nas escolas é muito frequente, pois educar é um processo que implica moldar mentalidades, personalidades, promovendo atitudes voltadas para a apreensão e compreensão, atingindo assim um determinado nível de cultura e de entendimento por parte dos alunos. Portanto, qualquer professor deve interessar-se pela forma como os seus alunos aprendem e se desenvolvem, para além de saber identificar e lidar com os diversos perfis psicológicos dos seus alunos.
           
Importa ainda realçar que se espera mais responsabilidade e maturidade de um indivíduo quando este passa a frequentar a escola regularmente, a partir dos seis anos de idade aproximadamente. Isto porque a escola é um lugar onde existem regras e onde os padrões de comportamento são bem definidos.

 Mas estes não são os únicos momentos através dos quais a psicologia se manifesta. A psicologia está presente todos os dias, nas nossas atividades quotidianas. Muitas vezes fazemos uso dela sem saber, nas nossas convivências com outras pessoas ou quando nos questionamos sobre nós próprios.
           
Geralmente, lidamos bem com as adversidades do dia a dia, enfrentamos as dificuldades que vão surgindo e apreciamos os bons momentos. Mas nem sempre é fácil superar os obstáculos que a vida nos propõe. Existem muitas pessoas que simplesmente preferem esconder o seu sofrimento, e embora desejem conversar sobre a sua situação, não tomam essa iniciativa, pois pensam que ninguém será capaz de compreender os seus problemas. Porém, na minha opinião, esta atitude não é correta. Quando algo nos incomoda ou magoa e não encontramos recursos suficientes em nós próprios para entender e enfrentar essa situação, devemos procurar apoio psicológico. 

Um psicólogo é alguém capaz de nos ouvir e de nos ajudar a encontrar um ponto de equilíbrio entre as nossas emoções, pensamentos e comportamentos, para promover atitudes que tragam o bem-estar e a segurança de volta às nossas vidas. É alguém que nos ajuda a identificar e a refletir acerca dos nossos problemas e necessidades.
            
Afinal, parece-nos lógico que alguém com dificuldades visuais procure um oftalmologista, ou que alguém que tenha partido um dente procure um dentista. Porém, já não é assim tão óbvio que alguém com problemas psicológicos procure um psicólogo. Penso que existe um antigo preconceito de que a psicologia só trata de loucos, ou então de que todos os tratamentos são dispendiosos e longos.

Por isso, penso que procurar ajuda psicológica revela coragem e maturidade, pois no fundo significa encarar os nossos problemas, conversar acerca das coisas que nos fazem sofrer ou sentir infelizes, para aprender formas de lidar com essas mesmas dificuldades. É uma oportunidade de nos auto-conhecermos e um investimento na nossa qualidade de vida e no nosso crescimento pessoal.

Maria Oliveira

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Wolfgang Köhler

Psicólogo alemão, Wolfgang Köhler nasceu a 21 de Janeiro de 1887, em Tallinn, na Estónia, e foi um dos mais famosos teóricos da psicologia.
Estudou na Universidade de Berlim e deu aulas na Universidade de Frankfurt. De 1913 a 1920 dirigiu em Tenerife um departamento de pesquisa na Academia de Ciências Prussiana, efectuando experiências com chimpanzés na tentativa de perceber a forma como estes resolviam problemas, ou seja, tentando avalia-los em termos de aprendizagem e percepção.
Em 1921 Köhler tornou-se director do Instituto de Psicologia e foi professor de Filosofia na Universidade de Berlim, levando a cabo uma série de experiências que lhe permitiram explorar alguns aspectos da teoria da Gestalt.







O psicólogo Köhler realizou  varias experiencias que consiste em colocar um animal faminto numa jaula onde eram penduradas bananas que o animal não conseguia alcançar. O chimpanzé resolveu o problema quando puxa um caixote e o coloca sob a fruta a fim de alcança-la. Segundo Köhler, a solução encontrada pelo chimpanzé não é imediata e só ocorre quando o macaco tem uma visão global do campo e estabelece a relação entre o caixote e a fruta. Esta experiencia mostra que os animais, no caso do macaco, são capazes de perceber a realidade permitindo uma acção não planeada pela espécie. Portanto, não se trata de uma acção instintiva, de simples reflexo, mas de um ato de inteligência. Nos animais que agem de acordo com o instinto a acção é invariável de indivíduo para indivíduo, porém em animais dotados de inteligência as acções são flexíveis e capazes de se adaptar as necessidades momentâneas, tanto que um dos chimpanzés, Sultão o mais inteligente, foi capaz de encaixar um bambu em outro para alcançar a fruta.





                                                                                             Hugo Oliveira

Psicologia do Desporto de Alto Rendimento

A competição exerce uma influência decisiva sobre o comportamento emocional do ser humano. A tensão emocional oriunda das altas exigências psicofísicas dos estímulos do treino e da competição desportiva leva o indivíduo a apresentar comportamentos contrários à sua condição de atleta. A prontidão para a máxima performance deve ser uma das virtudes do atleta de alto rendimento, virtude esta que pode ser extremamente abalada diante de um quadro de stress psicológico.
O estado psicológico do atleta é um factor determinante para o seu máximo rendimento, pois toda a acção mecânica relaciona-se directamente ao estado emocional do indivíduo.
Essa relação entre movimento e estado emocional deve ser considerada para a otimização dos processos do treino desportivo. Assim, o sucesso no desporto dependerá não apenas da preparação dos aspectos físicos (força, velocidade, resistência, flexibilidade, coordenação), mas também dos aspectos mentais (concentração, auto-estima, motivação, ansiedade).


As influências desses aspectos não se dão separadamente, mas simultaneamente, pois consideramos que as reacções do organismo não ocorrem exclusivamente de maneira psicológica ou fisiológica, mas em resultado conjunto dessas duas partes, ou seja, psicofisiologicamente.


No desporto de alto rendimento, a preparação física, técnica e táctica dos atletas das diversas modalidades encontram-se num nível de desenvolvimento equivalente. O que faz a diferença entre o vencedor e o perdedor é o estado emocional do atleta ou da equipa diante das situações do confronto competitivo. Portanto, o estado psicológico óptimo é necessário para se poder reverter o treino para um desempenho vitorioso.

Hélder Araújo