domingo, 18 de dezembro de 2011

Questões para o próximo ano...

As desordens genéticas são uma importante fonte de custos (económicos, físicos e emocionais) não só para os indivíduos afectados e suas famílias como para a sociedade. À medida que as doenças provocadas por factores ambientais e atitudes pessoais corrigivéis vão sendo controladas, as doenças ou estados patológicos, genéticos ou com determinado padrão genético, tornam-se cada vez mais importantes. (Jenkins.J. 1994)

Quando falamos da importância dos genes nas doenças, que como diz o autor do texto, são uma importante fonte de custos não só para os indivíduos afectados e suas famílias como para a sociedade, é frequente esquecermos que também as doenças mentais devem ser consideradas. Importa portanto aos psicólogos ter em devida conta os factores genéticos, e não apenas os ambientais, na compreensão e tratamento das patologias mentais que afectam as pessoas e as suas famílias.

Depressão mata 1200 pessoas por ano em Portugal

A depressão dói?

Pesquisas encontram gene ligado à depressão

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Cromossomas o que são?

Os cromossomas representam as unidades hereditárias de todos os seres vivos, já que neles estão contidos os genes, responsáveis pela codificação da informação genética.
Nas células eucarióticas, encontram-se encerrados no interior do núcleo, enquanto que nas procarióticas não se apresentam contidos em nenhum compartimento, agrupando-se numa zona do citoplasma denominada de nucleoide.
O número de cromossomas de cada espécie é constante, assim como a forma individual de cada um deles. No homem, podem-se encontrar vinte e dois pares de cromossomas autossómicos e mais um par de cromossomas sexuais: XX na mulher e XY no homem. Os elementos de cada parelha cromossómica são provenientes, um de cada um, dos progenitores.
Podem ser observados como unidades individualizadas, ao microscópio, apenas em células em fase de divisão. Surgem com um aspeto de dois filamentos alongados longitudinalmente, as cromátides, unidas por uma zona de constrição, o centrómero. As cromátides são cópias exatas uma da outra, já que inicialmente existe apenas uma, que se duplica no decurso da interfase, ficando as cópias unidas pelo centrómero e podendo trocar segmentos entre si, num fenómeno denominado de crossing-over. As cromátides separam-se posteriormente, no decurso da anáfase, ficando uma em cada célula filha.
No núcleo da célula humana existem cerca de 6x 199 pares de bases de DNA, o que corresponderia a um filamento, se totalmente alongado, com cerca de dois metros. Os cromossomas formam-se por compactação da cromatina nuclear, isto é, os filamentos de DNA enrolam-se em torno de proteínas básicas, as histonas, formando unidades denominadas de nucleossomas, unidos entre si por DNA de ligação. Posteriormente, esta estrutura enrola-se novamente sobre si, formando uma cromátide altamente compactada e resistente, o que permite que o cromossoma seja cerca de 8000 vezes mais curto que a quantidade de DNA que contém, se este estivesse totalmente distendido. Cada cromatídio é assim formado por um cordão espiralado de DNA, condensado em torno de um esqueleto proteico.
Devido às propriedades básicas das proteínas presentes, os cromossomas são fortemente corados por corantes celulares ácidos.
Consoante a posição do centrómero, os cromossomas são designados de metacêntricos (posição mediana), acrocêntricos (centrómero próximo da extremidade terminal) ou anisobraquiais (comprimento desigual dos braços).
Podem ocorrer anomalias no decurso do processo de divisão celular, conducentes à alteração do normal número de cromossomas da espécie. Esta situação é grave, desencadeando diversas deficiências e, até mesmo, a inviabilidade. As alterações podem abranger a totalidade do cariótipo (euploidia) ou apenas alguns (aneuploidia).
As alterações podem também ocorrer na estrutura dos cromossomas, através da deleção, duplicação ou inversão de segmentos, sendo a gravidade da alteração dependente dos genes afetados.

                                                                                                                                              Hugo Oliveira

Um gene serve para ene!

Uma das questões que mais intrigaram e ainda intrigam os investigadores na área das Ciências da Vida é a de conhecer o modo como certas características, ditas hereditárias, se transmitem de geração em geração e, sobretudo, porque se expressam de formas diferentes à volta de um determinado padrão. Tudo se processa como se cada indivíduo possuísse uma espécie de “livro de instruções” que assegura um determinado padrão, embora permita variações. Esse “livro de instruções” é, como já sabemos, o património genético do indivíduo e corresponde ao seu genoma. De geração em geração e através dos gâmetas, esse património genético passa de pais para filhos.

Como tal, existe uma ciência que se dedica ao estudo dos genes, da hereditariedade e da variação dos organismos, e que é por isso um dos ramos mais importantes da Biologia. Essa ciência designa-se Genética. Os seres humanos já utilizam conhecimentos de genética desde a pré-história, através da domesticação e do cruzamento seletivo de animais e de plantas.

Atualmente, a genética tem uma utilidade igualmente importante, nas diversas áreas nas quais se aplica. Desempenha um papel fundamental na medicina, por exemplo, na medida em que nos permite diagnosticar problemas de saúde antes que estes venham a ocorrer (medicina preventiva).

Permite também um estudo detalhado das características dos indivíduos, podendo assim identificar anomalias e procurar as soluções mais adequadas para tais problemas. A utilização da genética na agricultura e na pecuária é também frequente, para selecionar as espécies mais produtivas, tornando-as mais viáveis para a produção e para o consumo, diminuindo simultaneamente os impactos ambientais. A genética aplica-se ainda em questões policiais, pois tornou a investigação mais fácil, uma vez que diminuiu a margem de erro entre suspeitos, em casos de paternidade por exemplo.

Enfim, a genética tem inúmeras aplicações na vida de todos nós, sendo por isso uma das principais ciências ao serviço do Homem. É uma ciência que possibilita não só o conhecimento e a compreensão do nosso passado (a evolução das espécies e a biodiversidade), como também possibilita uma melhoria progressiva da qualidade de vida do ser humano.

Maria Oliveira

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Genética

 Graças ao desenvolvimento da ciência temos hoje respostas para muitas questões que desde sempre se colocaram. A ciência ajuda nos a compreender o complexo processo de transmissão de características dos progenitores para a sua descendência. Muitos aspectos da forma do corpo e do funcionamento dos órgãos são transmitidos por hereditariedade. Muitas das nossas características já nascem connosco. Efectivamente, cromossomas, genes e ADN são os agentes responsáveis pela transmissão de características genéticas.
Todos os seres vivos são constituídos por células que apresentam uma organização estrutural complexa, nomeadamente o núcleo, organelo altamente organizado. É no interior deste que se encontra a informação genética.
Observando ao microscópio o núcleo de uma célula no período de divisão nuclear, e possível observar um numero definido de longos filamentos enrolados, constituídos quimicamente por ADN e proteínas. Cada uma dessas estruturas constitui uma entidade designada de cromossoma. As proteínas definem a forma física do cromossoma. As células dividem sãs em duas fazendo uma prévia cópia do seu X, mantendo portanto o mesmo número de cromossomas. Este processo de divisão designa-se de mitose.
Os cromossomas são as estruturas mais importantes das células durante a divisão celular, uma vez que são responsáveis pela transmissão hereditária de geração em geração. O numero e a forma dos cromossomas e característico de cada espécie, designando-se de cariótipo. Cada par de cromossomas do mesmo tipo possui um elemento de origem materna e outro de origem paterna. Estes cromossomas, com forma e estrutura idêntica, são designados de cromossomas homólogos.

Genes
Segmentos de ADN com um determinado número de nucleótidos e uma ordem própria constituem uma linguagem química designada por gene. O gene e um segmento de um cromossoma a que corresponde um código distinto, uma informação para produzir uma determinada proteína ou controlar uma característica, por exemplo da cor dos olhos. O genoma é o conjunto de genes que constituem o ser humano. O grande objectivo da ciência e interpretar o genoma identificando os genes e definido as suas funções, bem como se relacionam entre si. Em cada par de cromossomas homólogos existem genes com informações para o mesmo carácter, ocupando a mesma posição relativa, isto é, situado no mesmo LOCUS – são designados genes alelos.
A meiose é de grande importância para os seres vivos porque contribui para a variabilidade genética das espécies. Conduz à separação ao acaso dos cromossomas homólogos e permite a redução para metade do número específico de cromossomas que caracterizam a espécie. Também o carácter aleatório do encontro dos gâmetas durante a fecundação reforça a diversidade genética.

Hereditariedade especifica e individual
A hereditariedade específica corresponde a informação genética responsável pelas características comuns a todos os indivíduos da mesma espécie, determinando a constituição física e alguns comportamentos.
A hereditariedade individual corresponde à informação genética responsável pela característica de um indivíduo e que o distingue de todos os outros membros da sua espécie. E o que o torna único.

Genótipo e fenótipo
O genótipo corresponde a colecção de genes de que o indivíduo é dotado aquando a sua concepção e que resulta do conjunto de genes provenientes da mãe e do pai. O genótipo e portanto o projecto genético de um organismo, e o conjunto de caracteres tal como são definidos pelos genes.
O fenótipo designa a aparência do indivíduo. E o conjunto de características observáveis anatómicas, morfológicas, fisiológicas -que resulta a interacção entre o genótipo e o meio ambiente. Corresponde à actualização de genótipo.
                                                                                   
                                                                                                                                            Hugo Oliveira

domingo, 4 de dezembro de 2011

Porque sonhamos?

O sonho é uma experiência que possui significados muito distintos, especialmente se esta interpretação envolver as diferentes religiões, culturas e até a ciência. Para a ciência, mais precisamente a Psicologia, o sonho será a imaginação do inconsciente durante o nosso período de sono. Recentemente, descobriu-se que até os bebés no útero têm sono e sonham, mas não se sabe com quê, devido ao facto de eles não terem vivido fora do útero, e assim, não terem experiência alguma. Em diversas tradições culturais e religiosas, o sonho aparece revestido de poderes premonitórios ou até mesmo de uma expansão da consciência. De facto, esta questão dos sonhos, já há muito que se vem a discutir, pois, todos nós sonhamos, e temos em média três sonhos por noite, o que equivale a cerca de 1100 sonhos por ano, e tantos sonhos devem ter algum significado, alguma razão.

Assim, em 1900, Sigmund Freud causou uma revolução no estudo da mente ao publicar: “A Interpretação dos Sonhos”, onde contestava a noção bíblica de que os sonhos eram fenómenos sobrenaturais, afirmando que derivavam apenas da Psique humana, isto é, da nossa mente. Freud faz também uma distinção entre o conteúdo manifesto do sonho (o que é lembrado, o que é consciente) e o conteúdo latente (os medos, desejos, recalcamentos). Por isso, acreditava que se conseguíssemos decifrar os sonhos, poderíamos entender o que se passa na nossa mente.

Obviamente, estas teorias foram ridicularizadas, não só por irem contra a religião, mas também por não terem qualquer nexo para a sociedade da época. Cem anos mais tarde, estas teorias estão a ser testadas.

A primeira ideia de Freud e confirmada pela ciência, é a de que os sonhos serão restos do dia, ou seja, algo que aconteça durante o dia, fará parte dos nossos sonhos durante a noite. Esta confirmação terá sido feita por dois investigadores da Universidade de Rockefeller, ao observarem que os neurónios mais ativos dos ratos durante o dia, continuavam a estar ativos durante a noite.


Isto significa que, por exemplo, se alguém teve uma experiência marcante durante o dia como um ataque de um leão, a probabilidade de sonhar com isso durante a noite é muito grande, ou então se foi para a guerra durante algum tempo, a probabilidade de continuar a sonhar com essa experiência é igualmente muito elevada. Porém, como na nossa sociedade ninguém tem experiências extremas todos os dias, os sonhos acabam por ser uma mistura de muitas situações que vivenciamos durante o dia.

Podemos levantar agora outra questão, de onde vêm aqueles sonhos estranhos, com situações que nunca nos deparamos, com experiências que nunca vivenciamos, com perigos que nunca experimentamos? 

De onde vêm os sonhos nos quais voamos ou estamos à porta da morte? Para a ciência, tudo isto vem do nosso inconsciente, uma vez que a fase de censura, determinada por Freud, está muito menos ativa, permitindo o acesso ao consciente de pensamentos, imagens, situações vividas ao longo de toda a nossa vida, que se não se manifestassem nos sonhos, nunca deixariam de permanecer no nosso inconsciente.

Durante o sono, o nosso cérebro está assim, com uma elevada atividade, mas não tem as informações sensoriais que nos apresenta o dia-a-dia, como os cheiros, imagens, sons ou outras informações, deste modo, a atividade sensorial está livre e vai até onde quiser, até às memórias mais fortes, ou seja, todos os sonhos que apresentem imagens aparentemente inéditas, tratam-se apenas de combinações de uma série de símbolos que cada um de nós já conhece de outras experiências.

Mas afinal, para que servem os sonhos? Tudo indica que, tanto os sonhos que consideramos bons, como os que consideramos maus, têm a função de simular comportamentos durante o tempo em que estamos acordados, durante os nossos dias. Logo, a sua função deveria ser evitar ações das quais resultassem punições e conduzir àquelas que levassem à concretização de desejos. Por exemplo, uma pessoa tem um sonho no qual é atacada por um cão, depois de ter entrado numa estrada menos movimentada e escura, pois estava de noite e essa estrada tinha uma iluminação muito débil. Assim, e se essa pessoa se lembrar do sonho quando acordar, vai ficar um pouco traumatizada, e quando na vida real se deparar com uma situação idêntica, terá muito mais cuidado e evitará situações de desprazer.

No sonho bom, a pessoa depara-se com uma situação de bem-estar, contentamento e, como tal, durante o próximo dia irá tentar satisfazer esse desejo. O mais curioso é que esta questão combina, de certa forma, com a ideia freudiana de que a função dos sonhos é a satisfação do desejo, teoria que havia sido tornada motivo de chacota nas últimas décadas.

Joaquim Oliveira

O que é a Psicoterapia?



A psicoterapia é uma actividade profissional, que apesar de ser uma prática comum em muitos países há muitos anos, era até há bem pouco tempo desconhecida da grande maioria dos portugueses. Não surpreende pois, que para muitos dos clientes que procuram ajuda de um psicoterapeuta, não seja muito claro em que consiste uma psicoterapia, existindo  nomeadamente alguma confusão, causada pela comparação com a consulta médica. A psicoterapia trata diversos problemas psicológicos, entre os quais a depressão, a ansiedade e as dificuldades de relacionamento com as outras pessoas são os mais comuns. É uma forma muito eficaz para a resolução de problemas psicológicos, mesmo daqueles que já existem há muitos anos. O tratamento destes problemas é feito através de conversas semanais de 50 minutos com um psicoterapeuta (geralmente um psicólogo). 


A psicoterapia pode ocorrer em conjunto com um tratamento medicamentoso com ansiolíticos ou anti-depressivos. A não ser que existam problemas ao nível físico, estes medicamentos não curam os problemas, mas aliviam os sintomas. Nalguns casos, os medicamentos podem ser mesmo necessários para melhorar o funcionamento mental do cliente, de forma a possibilitar a psicoterapia. Contrariamente ao que muitas pessoas  pensam, este tratamento não se resume a um conjunto de conselhos. Esta forma de ajuda também existe e chama-se aconselhamento psicológico.


Um outro aspecto em que a psicoterapia é diferente do tratamento médico é que o cliente não se deve limitar a deixar-se  tratar, mas espera-se, outrossim, que colabore activamente no processo.  Muitas vezes é o cliente que traz o tema da sessão, sabendo ele/ela melhor que ninguém o peso dos factores que compõem a sua vida. Parte significativa do trabalho terapêutico é feita entre as sessões, reflectindo sobre algo e testando aquilo que foi dito na vida real. Para estimular esta actividade, o terapeuta muitas vezes pode prescrever «trabalhos de casa». Para realçar este papel activo, a pessoa que procura ajuda psicoterapêutica é chamada “cliente” e não paciente. 

Luís Lopes

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A Inteligência!


              A palavra inteligência vem do latim “intelligentia”, que por sua vez nasce do verbo “intelligere”, formado por “inter” = “tra” e “legere” = ler, captar, “sacar” e também “ligar”. Então, inteligência é a capacidade de ler entre as linhas e de ligar idéias não explicitamente relacionadas. A pessoa inteligente colhe os pensamentos, é capaz de raciocínios abstratos, sabe planejar e criar estratégias.
             É importante estabelecer logo uma diferença entre esperteza e inteligência. Usa-se muito o termo “esperto” para designar pessoas que encontram soluções e saídas de situações espinhosas, ou que sacam respostas com rapidez. A raíz de ambas as atitudes está na curiosidade inicial da vida, no espírito vivo que caracteriza tantas crianças pequenas. É do ser humano querer saber que encontram soluções para sua sobrevivência.
             Contudo, sem o mundo do conhecimento, das idéias amplas e das relações universais entre conceitos, esse espírito vivo e curioso se resume à astúcia de “salvar a pele”. Podemos definir o esperto como aquela pessoa que tem inteligência prática cuja referência é seu ego (como ganhar vantagem ou superar um obstáculo, proteger-se ou obter o que se quer). Na vida diária a esperteza é essencial para a sobrevivência, mas deixada a si só ela se transforma facilmente em “malandragem”.
              Inteligência também não é conhecimento, no sentido de saber muitas coisas. Para isso basta ter uma boa memória. Ir à faculdade não é sinônimo de inteligência. Escrever textos para fazer provas não necessita sequer de esperteza mas da determinação para passar o teste. Não é lendo livros que se adquire inteligência, apesar de ser importante não é suficiente.
Nascemos todos com um belo corpo, esbelto a saudável, pronto para o uso. Se, ao invés de exercitá-lo o deixamos mofando na frente de uma TV ou jogando joguinhos tolos, aquela agradável forma inicial vai se deformando, e logo temos as crianças obesas, preguiçosas e malandras que facilmente se vê por aí. Com a inteligência acontece o mesmo. O potencial está lá, bonito e lustro, precisa ser exercitado, treinado e aprimorado para obtermos aquela maravilhosa capacidade de elevar-se acima da gravidade do dia-a-dia e construir pensamentos universais, tão elegantes quanto significativos. As piroetas e acrobacias que vemos uma habilidosa ginasta executar são fruto de anos de treinamento feito com dedicação e seriedade. O mesmo vale para a inteligência.

              O exercício para fortalecer a inteligência é o estudo crítico e o pensamento reflexivo. Por estudo crítico entendo aquela forma de estudar que não se limita a absorver informações mas que as religa, elabora, repensa, aprofunda e questiona. Pensamento reflexivo corresponde à capacidade de pensar o próprio pensado, isto é de questionar o pensamento e refletir sobre ele sem tomar por óbvio o que vem. O pensamento reflexivo é dialético e questionador, mas não por espírito de revolta e por estar animado pela vontade de saber, de enteder “de verdade”. A inteligência necessita de muita e variada leitura, de espírito crítico e investigador, de amor pelo conhecimento, de prazer pelo pensar e comprender, e de honestidade intelectual a qual permite perceber o preconceito e desconstrui-lo (pois até do preconceito é possível obter interessante conhecimento). Cada novo texto ou nova situação de vida coloca a pessoa inteligente à frente de onde estava antes.
             Inteligência é creativa, de tudo sabe extrair novo conhecimento, ela não olha para nada com desdém, e com isto espero ter ajudado melhor a esclarecer qualquer duvida relativamente a este assunto.
Ricardo Gonçalves

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Evolução do conceito de comportamento

Jean Piaget
O esquema explicativo proposto pelos behavioristas R=F(S) não resiste à constatação que se pode fazer com exemplos do dia-a-dia, vividos ou observados por todos nós. Essas situações servem para pôr em causa o rigoroso determinismo estimulo-resposta defendido pelos behavioristas. Perante a mesma situação, é grande a possibilidade de surgirem respostas diferentes. Por exemplo, quando ocorre um acidente (S), as respostas dos sujeitos que o presenciam não são as mesmas: um pode socorrer a vitima, outro pedir ajuda e outro impressionado afastar-se. 
Paul Fraisse
Além disso, o mesmo sujeito, perante a mesma situação, pode em momentos diferentes, comportar-se de forma distinta. Uma das criticas mais contundentes ao conceito de comportamento defendido pelos behavioristas foi apresentada por Paul Fraisse e Jean Piaget que propunham uma interpretação mais dinâmica do comportamento.

Para estes psicólogos, o comportamento é a manifestação de uma personalidade (P) numa dada situação (S). O esquema explicativo que propõem é mais adequado aos comportamentos humanos, dado que tem em conta quer as determinantes do meio quer a personalidade do sujeito R=F(SDP) O comportamento depende da interacção entre a situação e a personalidade do sujeito. A dupla seta (Dreflecte o carácter dinâmico da relação: não se pode encarar a personalidade independentemente da situação. Produto de um processo complexo, no qual intervêm factores internos e externos, a personalidade constrói-se no contexto do meio, nas diferentes situações vividas pelo sujeito. Por outro lado, o modo como a situação é encarada, interpretada, depende também da personalidade e das experiências anteriores do individuo. Para alguns autores o que é importante para explicar o comportamento é o modo como o individuo integra os dados da situação tendo em conta a sua personalidade e experiências. Muitos outros, chamam a atenção para a importância das significações, isto é, para aquilo que uma situação representa para um sujeito.

Marco Pereira

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Surreal! – A crónica dos arquitetos dos sonhos

O Surrealismo foi um movimento artístico que teve origem em França, nos anos vinte. Este movimento teve vertentes na pintura, escultura, literatura, teatro e cinema e foi influenciado de forma significativa pelas teorias psicanalíticas de Sigmund Freud, que por sua vez, demonstram a importância do inconsciente no que diz respeito à criatividade do ser humano. Alguns dos seus representantes mais importantes são, na literatura, André Breton, considerado pai da tendência e autor do Manifesto Surrealista e, na pintura, Salvador Dalí.

Este estilo apresenta um conjunto de características do abstrato, do inconsciente e do irreal, que se relacionam entre si. De acordo com os surrealistas, e tal como Freud pensava, a mente humana deve transpor as exigências impostas pela lógica e pela razão. Defendem também que a atividade artística deve ir para além da consciência do dia-a-dia, ultrapassando os padrões comportamentais e morais estabelecidos pela sociedade, para expressar o mundo do inconsciente e dos sonhos. Portanto, os artistas ligados ao surrealismo rejeitavam os valores ditados pela burguesia na época, tais como a família e a pátria. Criavam então obras repletas de humor, fantasia e contralógica.

O Surrealismo salienta ainda os impulsos provenientes das regiões menos exploradas da mente humana, pelo que os seus temas advêm normalmente do inconsciente: os sonhos, a loucura, as alucinações, as alterações de humor e os delírios. Manifesta-se através de temas simbólicos, incomunicáveis e pessoais e admite que o mundo irreal é tão verdadeiro quanto o mundo real. 

O homem, segundo André Breton, “esse sonhador definitivo”, quis assim provocar a revolução na arte no mundo enfraquecido pela primeira guerra mundial. Quis conhecer uma realidade que não fosse a exterior, igualmente lógica, e entregou-se ao pensamento livre, espontâneo e irracional, sem preocupações de ordem estética ou moral. Assim, vasculhou na alma o mundo dos sonhos e deixou que estes fossem a sua temática delirante. 

Hoje sabemos que Freud refutava a ideia de que o seu objeto de estudo fosse o mesmo que o objeto de desejo dos surrealistas, o inconsciente, uma vez que o psicanalista acreditava que o automatismo psíquico na arte era consciente. 

No entanto, Freud com a invenção da psicanálise e os surrealistas com a invenção de uma forma de expressão justa para com a imaginação e grandeza do ser que não é palpável, propuseram um ponto de partida à descoberta da mais pura infância da mente, aquela de onde crescemos apenas para nos começarmos a conhecer.

Maria Oliveira

domingo, 27 de novembro de 2011

Construtivismo de Piaget

Psicólogo e epistemólogo dos processos mentais (mais concretamente cognitivos), nasceu na Suíça, em Neuchêtel, no dia 9 de Agosto de 1896. Jean William Fritz Piaget, realizou o seu doutoramento em zoologia e estudou psicologia, simultaneamente com psiquiatria, em Zurique. 
Psicólogo que se tornou mundialmente conhecido pelos seus trabalhos acerca do desenvolvimento do pensamento e da linguagem na criança (Piaget priviligia o estudo de um único caso, no entanto executando-o intensivamente), contribuindo, deste modo, para o estudo do mecanismo geral da inteligência adulta (tendo, anteriormente, elaborado um conjunto de pesquisas sobre a estrutura da inteligência no Instituto Jean-Jacques Rousseau, em Genebra). Piaget efetuou então, essa mesma investigação, recorrendo à observação dos processos comportamentais das crianças, no seu ambiente natural. Ou seja, em locais nos quais estas não se sentissem observadas ou até mesmo constrangidas em prol de uma análise mais fiel – sem mudanças de comportamento (visto que isso poderia acontecer se se encontrassem em circunstâncias diferentes das habituais).
Na generalidade, os seus estudos incidem sobre a forma como se constrói o conhecimento e a génese das estruturas psico-cognitivas e afetivas dos indivíduos, processo que, de acordo com Piaget, ocorre segundo determinados estádios de desenvolvimento, com uma sucessão previsível. Estes estádios ou etapas caracterizam diferentes momentos da evolução física, intelectual e social de cada ser humano e constroem-se, segundo este autor, através de “uma calibragem progressiva, uma passagem perpétua de um estado de menor equilíbrio a um estado de equilíbrio superior”. São, então, estas etapas que constituem um processo que é denominado de construtivismo de Piaget. Este processo, apoia-se em estruturas cognitivas que se vão interligando, numa sucessão significativamente regular, flexível e cada vez mais complexa.
Desta forma, o construtivismo salienta a capacidade que cada pessoa tem em construir o seu próprio processo evolutivo e de aprendizagem, o qual tem um forte influência e relação direta com o meio, nomeadamente no que diz respeito à interação estabelecida com os objetos, acontecimentos e pessoas, ao longo do tempo (como resposta a estímulos exteriores). É aqui, nesta mesma interação que surge a óbvia oposição ao behaviorismo que, por sua vez dá ao meio um papel muito mais importante, colocando o individuo como um recetor passivo na influência do ambiente no qual está inserido.
 No crescimento cognitivo, Jean chama a atenção para a atividade da criança sobre o seu meio ambiente, que resulta por um lado, do seu interesse, curiosidade e necessidade de ação, e por outro, das estruturas físicas e psíquicas que possui. Assim, verifica-se uma relação estreita entre a constituição e desenvolvimento do individuo (o que a criança é capaz de fazer fisicamente) e a evolução pensante, como meio de compreensão do mundo que o rodeia. Assim sendo, para este psicólogo, um ser humano para ser considerado adulto necessita de “preencher” alguns requisitos a vários níveis. Ser adulto, do ponto de vista fisiológico, é ter a capacidade de ser reproduzir. Já do ponto de vista psicológico, o individuo tem de ser capaz de perspetivar o seu futuro, de saber lidar com o sentido de responsabilidade e de conseguir formar laços afetivos com as pessoas que mais se idêntica. Cognitivamente, ser adulto é sinónimo da realização de processos mentais mais complexos, extrapolando do concreto e elaborando associações de conhecimentos que se interligam.
 Este conjunto de “requisitos” é a prova teórica da prespetiva psicóloga de Piaget em relação ao pensamento humano (processos mentais). É, sem dúvida, uma perspetiva evolutiva que rejeita, de certa forma, a teoria da “tábua rasa”, visto que o individuo não se deixa influenciar passivamente pelo meio – interage com o mesmo.

Cesarina Ferreira