quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Amigos que fazem bem à saúde!

Um estudo realizado na Universidade de Concórdia, no Canadá, comprovou que as nossas amizades produzem benefícios não apenas psicológicos, como também fisiológicos. O estudo foi realizado com várias crianças e demonstrou que o nível de auto-valorização que estas apresentavam, aumentava significativamente na presença do seu melhor amigo. Porém, na ausência de companheiros, os níveis de cortisol (hormona responsável pelo stress) eram bastante mais elevados e consequentemente a sua auto-estima sofria uma redução. 
Importa referir ainda que a secreção excessiva de cortisol pode conduzir a alterações imunológicas e até a um decréscimo na formação óssea, o que acaba por afetar ainda mais fortemente as crianças.
Todos sabemos a importância que os amigos adquirem nas nossas vidas, uma vez que são pessoas que nos acompanham nos bons e nos maus momentos e que contribuem para a nossa felicidade. “Ter o melhor amigo presente durante um acontecimento desagradável tem um impacto imediato sobre a mente de uma criança”, afirma William Bukowski, coordenador da investigação. 
Segundo os pesquisadores, este estudo tem também implicações a longo prazo, pois as nossas reações psicológicas e fisiológicas em relação às experiências vividas na infância influenciam a vida futura. Isto significa que se acumularmos sentimentos de fraca auto-estima ao longo da infância, esses sentimentos irão traduzir-se na forma como nos vemos a nós próprios na idade adulta.
Um outro estudo realizado na Universidade de Chicago, nos EUA, reconheceu que pessoas muito solitárias tendem a ser mais indefesas, a ter insónias com frequência e outros problemas tais como o stress, a ansiedade e a depressão. Segundo o psicólogo John Gottman, a amizade é também fundamental nas relações amorosas. Isto porque, de acordo com as suas pesquisas, os casais mais felizes e com relacionamentos de longo prazo confirmaram a presença da amizade no casamento e admitiram que amar o parceiro seria uma extensão dessa amizade.
Em suma, as nossas amizades ajudam-nos ter um desenvolvimento psicológico saudável e este facto é particularmente significativo para as crianças. Podemos concluir que as vantagens de possuirmos um bom amigo são bastante positivas, na medida em que estes relacionamentos nos conferem uma vida mais dinâmica, com um bem-estar que se traduz tanto ao nível do corpo como da mente.
Maria Oliveira

Serão iguais?


O estudo dos gémeos é muito importante para a psicologia uma vez que se trata de uma situação natural, e apesar disso, podem ver mais rigorosamente a influência do meio no comportamento e desenvolvimento humano.
Os gémeos monozigóticos, que são os utilizados nestes estudos, que provêm do mesmo zigoto e por isso têm uma informação genética muito semelhante, podem ser muitos idênticos como muito diferentes, dependendo se são criados separados ou juntos respetivamente.
Até aos anos 70, os estudos feitos com os gémeos não eram de confiança no sentido em que os cientistas inventavam dados e não havia ética nas investigações nem métodos organizados de trabalho. Hoje em dia, estes estudos são realizados com muito mais cuidado, muito mais rigor e são usados principalmente na genética do comportamento, uma disciplina da Psicologia.
Sabe-se que aproximadamente 1 em cada 250 nascimentos são de gémeos verdadeiros e a maioria das pesquisas são feitas em países escandinavos porque estes governos mantêm e possuem grandes bancos de dados sobre os seus cidadãos.
Voltando à afirmação inicial, qual a explicação para tal facto ser possível? Isto é, como é que é possível que os gémeos criados separadamente sejam mais parecidos do que aqueles que são criados juntos?
A resposta é que as pequenas diferenças no caráter inato, isto é, à nascença, são exageradas pela prática e não reduzidas. Se um é mais ativo e brincalhão que o outro, eles gradualmente irão exagerar essa diferença.
Isto acontece, porque apesar das semelhanças das condições biológicas e ambientais, os gémeos vão progressivamente distinguindo-se para se diferenciarem em duas pessoas distintas e singulares, e apenas os gémeos criados juntos têm a preocupação de reformular as suas ideias de maneira a que se diferenciem um do outro. Os que vivem separados não estão sujeitos às mesmas condições logo serão por si diferentes.
A esquizofrenia assim como o autismo, dislexia, atraso na linguagem, deficiência na linguagem, depressões graves, distúrbio bipolar, distúrbio obsessivo-compulsivo e orientação sexual são algumas das alterações que acontecem nos gémeos verdadeiros uma vez que têm o mesmo ADN e ainda vivem no mesmo meio.
Em geral, os gémeos verdadeiros, como o próprio nome indica, são o tipo de irmãos mais parecidos que existe e por vezes pensam e sentem de modos tão semelhantes que levantam a hipótese de estarem ligados por telepatia, cuja definição não está muito bem definida e estudada. São ainda muito semelhantes a nível cognitivo, como na inteligência verbal, matemática, também no grau de satisfação com a vida e em características de personalidade como serem introvertidos, conscienciosos, bastante recetivos a novas experiências e aderirem facilmente a propostas.
Têm atitudes muito semelhantes perante questões polémicas, religião e música. São parecidos não só em testes de papel e lápis, mas também em comportamentos da vida particular como praticar exercício, cometer crimes, envolver-se em acidentes, ver televisão e ainda na facilidade a divorciar-se.
Em suma, podemos dizer que os estudos dos gémeos demonstram que diferentes mentes podem advir de diferentes genes, uma vez que o nosso desenvolvimento depende quase por inteiro do meio onde somos criados. Contudo, o papel dos genes não pode ser ignorado uma vez que estes são o impulso da vida.

Joaquim Oliveira

Função vicariante do Cérebro

A principal característica que nos diferencia dos animais é a nossa capacidade cerebral. Uma das características mais espantosas do nosso cérebro é a capacidade de recuperação, quase a 100% de uma lesão do cérebro. O nosso cérebro é constituído por milhões de células específicas, os neurónios. Estas são responsáveis por grande parte das funções do sistema nervoso e cada neurónio tem uma função específica a desempenhar.
Quando é afectada uma área do cérebro, o indivíduo pode tender a ficar com limitações ao nível físico ou psicológico, dependendo da zona lesada, ou seja, se a lesão foi nos lobos occipitais pode ter perturbações visuais, se for nos lobos temporais pode ser afectada a audição. Mas se a zona lesada, for o córtex pré-frontal haverá modificações ao nível psicológico e não físico.
Para conseguir explicar com melhor eficácia o córtex pré-frontal do nosso cérebro tenho de referir dois casos muito interessantes, o caso de Phineas Gage e Elliot. Gage sofreu um acidente enquanto trabalhava e a consequência deste episódio trágico foi a lesão das áreas pré-frontais. Phineas era um homem calmo, trabalhador e educado, após a remoção da barra ferro que feriu o cérebro e lhe arrebatou um olho, a sua personalidade modificou-se radicalmente. A personalidade de Gage alterou-se para o contrário, passou a ser um homem grosseiro, colérico, e irritava-se com muita facilidade. No caso de Elliot não sofreu nenhum acidente, mas tinha um tumor na parte do córtex. Após a operação, em que lhe retiraram parte do córtex, a personalidade do Elliot também teve grandes transformações e uma delas foi a indiferença afectiva, ou seja, não demonstrava qualquer sentimento, nem tristeza, nem alegria, nem ansiedade. Graças a Damásio que estudou estes dois casos pormenorizadamente sabemos que as relações entre o córtex e as emoções funcionam como inibidores ou estimulantes, isto é, o nosso cérebro consegue inibir uma emoção ou estimula-la. Daí se for danificada esta zona do cérebro pode ser afectada a nossa personalidade.
Até aqui, referi as lesões que podem ocorrer se for afectada uma zona do cérebro, mas não expliquei como podem ser recuperadas as áreas afectas quase na totalidade.
É por causa da capacidade do nosso cérebro funcionar como um todo, como uma rede funcional que conseguimos recuperar quase na totalidade a área danificada. Isto é, cada área do nosso cérebro possui neurónios específicos para determinada função. Quando é danificada uma zona do nosso cérebro, os neurónios dessa zona desaparecem, mas por causa da função vicariante que o cérebro possui, este consegue recuperar quase totalmente as áreas afectadas. Contudo esta função está complementada com a plasticidade do nosso cérebro. E é por causa destas duas capacidades cerebrais que os neurónios das áreas vizinhas podem substituir as funções dos neurónios dessas zonas afectadas pelas lesões cerebrais, resultantes de várias circunstâncias como o coma, os acidentes vasculares, os traumatismos cranianos, entre outros.
Como as células nervosas têm as mesmas características variando apenas as suas funções, elas conseguem adquirir e desempenhar outras funções do nosso cérebro, mas não inteiramente pois não estavam destinadas a aquela área do cérebro.
A função vicariante é uma função muito importante do nosso cérebro, graças a esta função conseguimos recuperar de lesões, e viver uma vida normal e independente.
Ricardo Gonçalves

Deficiência Mental

Ao longo da história já foram utilizadas expressões como idiotia, cretinismo, debilidade, imbecilidade. O sistema de Classificação Internacional de Doenças - (CID), em função do típico atraso de desenvolvimento que os portadores de tais síndromes apresentam, utiliza a expressão Retardo Mental, subdividindo este grupo em quatro categorias de gravidade (leve, moderada, grave e profundo) em função da sua capacidade intelectual com ou sem outros comprometimentos do comportamento.
As pessoas com esse transtorno, são dependentes de cuidadores e necessitam de atendimento multiprofissional (incluindo: médico, fisioterapeuta/ terapeuta ocupacional,musicoterapeuta, fonoaudiólogo, psicólogo, pedagogo (psicopedagogia) entre outros) a fim de minimizar os problemas decorrentes da deficiência. Quanto mais cedo houver um diagnóstico e mais precoce for a intervenção melhores serão os resultados. As técnicas exercidas por diversos profissionais de reabilitação e puericultura para identificar precocemente lesões e intervir são denominadas: Avaliação do Desenvolvimento e Exame Neuropsicomotor Evolutivo ou psicomotor e Teste de Inteligência ou Quociente de inteligência, além do diagnóstico das informações provenientes da clínica médica para identificar a síndrome genética ou natureza da lesão que possívelmente causou o dano cerebral e/ou seus sinais e sintomas.
As clássicas definições da deficiência mental, a exemplo da Associação Americana Deficiência Mental têm como referência a limitação da atividade intelectual (leia-se praticamente habilidades lógico matemáticas) e a capacidade de adaptação (leia-se socialização) contudo ambos conceitos, aqui referidos, podem ser ampliados em função das suas distintas aplicações.
Para Piaget a inteligência é um prolongamento da adaptação orgânica, o progresso da razão consiste numa conscientização da atividade organizadora da própria vida. Essa definição, uma das muitas possibilidades de definir lógica e inteligência em seus estudos, revelam sua opção de pesquisa a partir de um conceito básico da biologia moderna, a adaptação, sem o qual não poderíamos compreender as relações entre forma e função e/ou a teoria da evolução.
A deficiência intelectual é resultado, quase sempre, de uma alteração na estrutura cerebral, provocada por fatores genéticos, na vida intra-uterina, ao nascimento ou na vida pós-natal. O grande desafio para os estudiosos dessa característica humana, é que, em quase metade dos casos estudos essa alteração não é conhecida ou identificada e quando analisamos o espectro de patologias que tem a deficiência mental como expressão de seu dano nos deparamos com um conjunto de mais de 200 doenças entre as mais comuns estão a Síndroma de Down e Paralisia cerebral.
Síndrome de Down é um conjunto de características específicas (hipotonia, face com perfil achatado, crânio braquicéfalo, olhos amendoados ou fissuras palpebrais oblíquas, língua protrusa, pescoço curto, prega palmar transversal única, entre outros) e não uma doença. Complementando Síndroma de Down é uma anomalia causada durante a formação do feto que pode ocorrer com qualquer pessoa, chamada de Trissomia do Cromossoma 21. Para se confirmar essa trissomia é preciso se fazer um exame genético (a partir de linfócitos ou outra célula coletada no sangue) chamado cariótipo.
Hélder  Araújo

Neuropsicologia

neuropsicologia é uma interface ou aplicação da psicologia e da neurologia, que estuda as relações entre o cérebro e o comportamento humano, contudo praticamente dedica-se a investigar como diferentes lesões causam deficits em diversas áreas da cognição humana, ou tal como denominado pelos primeiros estudos nesse campo, estuda as funções mentais superiores, deixando áreas como agressividade, sexualidade para abordagens mais integrativas da fisiologia e biologia (neuro-biologia, neuro-fisiologia, psicofisiologia, psicobiologia) ou melhor da neuro-ciência. Entre as principais contribuições desse ramo do conhecimento estão os resultados de pesquisas científicas para elaborar intervenções em casos de lesão cerebral, quando se verifica o comprometimento da cognição e de alguns aspectos do comportamento. (Atribui-se ao psicólogo canadense. Donald Olding Hebb (1904-1985) a cunhagem do termo neuropsicologia.
Hélder Araújo

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Sponge Bob vs Concentração

Um estudo recentemente publicado revelou que o tão conhecido "Sponge Bob" assim como todos os desenhos animados igualmente hiperativos, podem causar uma atenção dificultada e consequentemente problemas de aprendizagem em crianças de 4 anos.
A velocidade das imagens destes desenhos animados são a principal causa da falta de concentração e atenção.
Este estudo foi desenvolvido na Universidade de Virgínia, com 60 crianças de 4 anos de idade, como tinha já referido.
O estudo teve por método dividir as 60 crianças em grupos de 20, sendo que cada grupo iria estar 10 minutos a ver "Sponge Bob", um outro grupo a ver um desenho animado do Canadá chamado "Caillou", e por fim, um terceiro grupo a fazer desenhos.
Depois do teste terminado, os três grupos foram submetidos a diferentes testes que avaliaram a sua função mental, coordenação e concentração.
O grupo que ficou a ver “Sponge Bob” obteve um resultado menos satisfatório em 12 pontos do que os outros dois grupos, com resultados idênticos.
As investigadoras que desenvolveram este estudo queriam comparar a influência imediata de programas de televisão consoante o ritmo acelerado e lento, com as habilidades das crianças para resolver posteriormente problemas e concentração.
No desenho animado "Sponge Bob", o ângulo da câmara mudava a cada 11 segundos, o que faz com que uma grande quantidade dos recursos cognitivos se dedicassem apenas para o que estava a acontecer no ecrã, enquanto no "Caillou", onde o angulo da câmara mudava a cada 34 segundos, oferecia aos espetadores muito mais tempo para processar os eventos da narrativa.
Assim, as crianças que visualizaram o "Sponge Bob" apresentaram uma menor atenção aos testes que foram feitos e supracitados.
A conclusão que tiramos deste estudo não tem a ver com propriamente o desenho animado "Sponge Bob", mas com todos aqueles programas de televisão com um ritmo acelerado, o que faz desviar a atenção das crianças. Sendo assim, antes de irem para a escola, as crianças não devem ver este tipo de programas.
Podemos também confirmar a teoria de vários psicólogos que diziam que as nossas capacidades cognitivas tais como, a tomada de decisões, concentração, atenção, são recursos que se vão esgotando durante o dia, tal como os músculos e também por isso a maior parte das aulas são de manhã.


Joaquim Oliveira

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A psicologia da música

Música é linguagem tão antiga quanto o homem, a Música Primitiva era usada para exteriorização de alegria, prazer, amor, dor, religiosidade e os anseios da alma. Darwin declarou que a fala humana não antecedeu a música, mas derivou dela. Ao comparar o cérebro de músicos profissionais, amadores e não-músicos, os cientistas constataram diferenças na quantidade de massa cinzenta de determinadas regiões responsáveis pela audição, visão e controle motor.

As diferenças da estrutura do cérebro dos três grupos estudados, músicos profissionais, músicos amadores e não-músicos, estão relacionadas com a  intensidade do treinamento musical. Quanto melhor treinado o músico, maior é a proporção de massa cinzenta. Como se sabe, a quantidade da massa cinzenta é determinante no grau de inteligência de um indivíduo. Os instrumentistas utilizam muito mais a mão esquerda do que as pessoas que não tocam nenhum instrumento. A principal conclusão do estudo é que a prática constante de um instrumento influencia de forma positiva o desenvolvimento do cérebro. Ao que tudo indica, o efeito do treinamento musical no cérebro é semelhante ao da prática de um desporto nos músculos.

Como se ouve música? 
Corrente referencialista: a escuta musical sempre busca um referencial, imagens situações, baseado em experiências de vida.
Corrente absolutista: é possível compreender a idéia da música pela própria organização dos sons, sem necessidade de suporte em outros sentidos.

Alguns ritmos levam ao céu, outros conduzem qualquer alma ao abismo, outros despertam o extinto da loucura, outros a ousadia, outros o desconforto, outros o desejo de descoberta e criação. A música é uma libertação, às vezes só conseguimos nos expressar através dela, sendo como também uma forma de nos tranquilizarmos. Contudo as práticas musicais das crianças e dos adultos são relevantes porque auxiliam no desenvolvimento auditivo, motor, cognitivo e social, além de ajudar a fortalecer as ligações afetivas nas famílias. Altera contudo, nosso estado de espírito. O corpo reage às vibrações dos sons, são despertadas emoções que interferem no funcionamento de nosso organismo. Existem teorias que comprovam as reações de células e órgãos através destas emoções que são deflagradas. A música pode alterar e liberar partes reprimidas inscritas em nosso corpo . O ser traz consigo as marcas de sua história , em forma de movimento , apreendemos padrões de movimento que nos ditaram o que fazer ou deixar de fazer.  Visto isto, a música é realmente importante para o ser humano. Pode até mesmo combater a depressão e outros problemas mentais.

Ana Martins

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Medo de agulhas?

O medo é um sentimento de inquietação que surge com a ideia de um perigo real ou aparente. É um receio, uma apreensão a algo, uma aversão. E de facto, existe muita gente que tem o medo de agulhas, sendo este medo ou fobia chamado de Aicmofobia.
Como na maioria das fobias, dá-se uma aceleração do batimento cardíaco, respiração superficial e ainda algumas reações nervosas. No entanto, a Aicmofobia apresenta uma diferença em relação à maioria das fobias: a tendência a desmaiar.
Admite-se que a maioria das pessoas com esta fobia e com aversão a sangue tenham histórico de desmaios nestas situações.
Os pacientes que possuem esta fobia tendem a ter pensamentos, visões e dor em relação à própria agulha. Isto pode oscilar entre tremores, calafrios até ao evitamento total de agulhas, o que leva as pessoas a evitar a realização de qualquer exame ao sangue.
Esta é uma fobia muito comum, no entanto, as pessoas que a demonstram não são fracas nem cobardes, elas já herdaram uma predisposição genética para o desmaio, combinada com uma experiência negativa que provoca o medo. A maioria das pessoas tem um familiar com a mesma resposta, o desmaio.
Isto acontece porque, como referi, os pacientes herdaram o que é chamado de ato reflexo vaso-vagal em reposta a esse medo e quando se deparam com uma agulha ou recebem uma injeção, é acionado o nervo vago, situado abaixo do crânio, que dilata os vasos sanguíneos e diminui a frequência cardíaca e a pressão arterial. Por fim, podem mesmo perder a consciência por alguns segundos.
Esta fobia pode ser induzida devido a uma experiência traumática com agulhas, principalmente antes dos dez anos e é uma fobia que pode levar a graves problemas de saúde ou colocar a própria vida da pessoa em risco só porque se recusou a fazer simples análises de sangue ou a ir ao médico.
O tratamento psicológico para esta fobia baseia-se no confronto entre os pacientes e as próprias agulhas, com vídeos, imagens e diálogo com um terapeuta sobre o assunto.
Para as pessoas que são mais vulneráveis aos desmaios, o ideal será aprender a técnica da "tensão aplicada", na qual as pessoas treinam o enrijecer dos músculos do corpo para aumentar a pressão arterial e evitar o desmaio e só depois se passa ao tratamento supracitado.


Joaquim Oliveira

PSI - "Psicologia Sob Investigação"

A Psicologia Criminal, também conhecida por Psicologia Forense, é um ramo da psicologia jurídica que se baseia na aplicação de conhecimentos psicológicos ao serviço judiciário. Esta área da psicologia tem o objetivo de proteger a sociedade e de defender os direitos do cidadão, através da perspetiva psicológica. Para tal, trata de analisar de modo racional e empírico o comportamento criminoso, pelo que utiliza frequentemente estudos psicológicos de personalidade, de estrutura mental e as suas respetivas relações com o direito penal. A psicologia criminal explora ainda o desenvolvimento do criminoso sob o ponto de vista psicodinâmico e social.

Os psicólogos criminais procuram sempre reconstituir o percurso de vida do indivíduo criminoso e todos os processos psicológicos que o possam ter conduzido a cometer um crime, ou seja, tentam descobrir a raiz do problema para encontrar a solução mais adequada face ao seu julgamento. Uma vez descoberta a causa das desordens mentais e comportamentais que afetaram o indivíduo, é possível determinar uma pena justa.

Esta ciência é muito importante devido à necessidade de legislação apropriada para os casos de indivíduos considerados doentes mentais que cometem atos criminosos, pois a doença mental deve ser encarada não só a nível clínico, como também a nível jurídico. 
Por estes motivos, um psicólogo formado nesta área tem de possuir conhecimentos relacionados com a psicologia em si e conhecimentos que dizem respeito às leis civis e criminais. 

Atualmente, os cientistas afirmam que não existe uma personalidade tipicamente criminosa. Contudo, defendem a existência de diferentes maneiras de organização da personalidade, de formas distintas de receção dos diversos estímulos do meio e de se relacionar com o mundo 
exterior. Como tal, admitem que um criminoso, num dado momento da sua vida, terá uma representação diferente da realidade, muito específica, pelo que assume uma determinada disposição de valores e significados, na qual o crime adquire um sentido particular.

Portanto, podemos concluir que a psicologia criminal é fundamental para que haja uma melhor compreensão da mente, dos processos psíquicos e dos comportamentos de quem comete um crime e para auxiliar essas pessoas no sentido de as integrar novamente na sociedade, contribuindo desta forma para uma vida social saudável e segura.

Maria Oliveira

O poder da música - Inquestionável?


A música, sem dúvida alguma, exerce uma inquestionável força sobre o ambiente e especialmente sobre o ser humano. Por este motivo, é muito importante que o individuo dedique algum tempo a escutá-la e não simplesmente a ouvi-la. Muitas são as pessoas que ouvem música, mas poucas são as que as escutam. Escutar é acompanhar, interpretar e sentir aquilo que estimula o sentido de audição e ineveitavelmente a mente. Muitos peritos neste assunto, afirmam que o auge da influência musical no ser humano é na infância deste e até mesmo enquanto este se encontra no ventre materno. Isto porque, como sabemos, as relações precoces por cada um de nós desenvolvidas são fatores de extrema importância na construção da identidade de cada um. Estas relações que formam laços quase que inquebráveis podem, então ser estimuladas de várias formas. Uma das maneiras mais eficazes de promover um bom desenvolvimento do bebé e, simultaneamente promover uma relação mais íntima entre mãe e filho é fazê-lo escutar um género de música adequado e provido de um calmo balanço compassado. O género mais estimulante é, tendo em conta vários estudos, o clássico-contemporâneo.

Contudo, apesar de a música provocar efeitos notórios na infância do indivíduo, esta tem também um poder irrefutável sobre o ser humano, seja qual for a sua idade. Esta possui, de facto, uma força inerente e deve ser por isso cuidadosamente selecionada (tanto quando se escuta como quando se produz), por um lado para evitar efeitos negativos, mas também a fim de promover um certo nível de equilíbrio emocional. Para que ocorra este segundo efeito é necessária uma certa rotina musical. Ou seja, todos os dias, se possível, a pessoa deve dedicar algum tempo a esta atividade, na medida em que

 os efeitos pretendidos se façam sentir. E mesmo que estes nos pareçam evidentes no momento, manter essa mesma rotina é a melhor maneira de conduzir a uma “acumulação de sensações”, supostamente boas (presumindo-se que a pessoa apenas queira retirar o lado bom da influência musical e aplicá-la no seu dia-a-dia de forma a sentir-se melhor com ela mesma). Por esta razão, para que os resultados esperados, tais como de terapia, de transe ou meditação, é preciso que a música seja repetida um certo número de vezes e de acordo com o estado de espírito da pessoa, de modo a que não cometa o erro anteriormente referido – somente ouvi-la.
Este forte efeito produzido pela melodia é reconhecido desde os tempos mais remotos. Historicamente, encontramos evidenciado este facto nos manuscritos dos filósofos gregos inclusive Homero, Platão, Aristóteles e especialmente Pitágoras. Estes mencionavam que a música podia, então ser usada como um importante agente de cura psíquica. Para Platão, uma cuidadosa regulamentação da música era fundamental para o bem-estar e para a saúde do povo. Já na opinião de Aristóteles, as suas duas principais funções eram servir como catarse das emoções e construir um caráter ético forte. Não obstante, nos nossos dias, aquilo a que chamamos música é apenas uma miniatura (uma amostra) da harmonia de todo o Universo, que está em constante ação e por trás de todas as coisas, sendo esta a fonte e a origem da natureza.

Cesarina Ferreira