terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O Homem não nasce humano!

Esta afirmação, é com certeza e inequivocamente verdadeira. O ser humano nasce isento de qualquer tipo de conhecimento, cultura ou costumes. É através do processo de socialização e interação entre indivíduos que este começa a interiorizar valores e a construir a sua própria identidade. A família constitui a base da nossa educação, inculca-nos os modos de agir, estar e sentir mais básicos e necessários a ter em sociedade. Esta instituição (familia) é responsável pelo início da estruturação de cada ser e é imprescindível para a nossa orientação em sociedade pois inculca-nos a linguagem, os traços gerais de cultura em que nos inserimos e alguns comportamentos  a ter em situações específicas. Um outro agente de socialização importante é a escola. Faz parte da nossa socialização secundária e tem grande valor porque, para além de dar continuidade ao que a família nos incute, fornece novos saberes, novas disciplinas.
O homem que não tem qualquer tipo de agente a incidir em si, e por isso, é um ser isento de conhecimento, modo de ser e estar. É a prova de que o Homem não tem qualquer "antecedente inteletual" quando nasce, mas que é semelhante a uma folha em branco, que ao longo da vida vai ser preenchida de saberes, costumes e valores.

Ana Martins

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Mentes Brilhantes

Marc Yu é uma criança de sete anos que se distingue inequivocamente de todas as outras, pela sua exponencial capacidade intelectual. Quando tinha dois anos, ele ouviu a canção "Mary had a little Lamb" e pouco depois a tocou no piano, impecavelmente. No ano seguinte, Marc era já capaz de tocar grandes peças de Beethoven. Hoje em dia,  ele é capaz de tocar mais de 40 clássicos sem olhar a partitura.  Crianças como Marc parecem desafiar as regras do desenvolvimento cerebral.
As questões que se colocam são: Os génios nascem com um cérebro brilhante ou é através de trabalho intenso que se tornam talentosos? Nascem assim ou são moldados? A genialidade é inata ou resultante do meio ambiente?
Grandes estudiosos chegaram a conclusão de que algumas crianças nascem com o cérebro fisicamente distinto e especificamente direccionado para a música, contudo é necessário aperfeiçoar a habilidade de cada criança prodígio.
Os músicos exercitam muitas partes do cérebro pois exigem a realização de várias  tarefas em simultâneo dentro da área visual, sensorial, motora e auditiva.
Marc era incentivado pela mãe e tinha uma enorme curiosidade pelo saber, foi considerado um génio, uma criança prodígio que depertou várias pesquisas e estudos acerca da sua capacidade intelectual. O seu cérebro era constantemente cultivado e estava sempre activo.
Apesar de não se saber se a genialidade é inata ou não, de uma coisa à certeza: É importantíssimo que uma criança nasça num meio  ambiente que lhe estimule o cérebro para que este funcione correctamente.
Um bom exemplo é o caso de Genie, um adolescente de 13 anos que passou toda a sua vida fechada num quarto sem qualquer contacto com o mundo exterior. Este facto levou á sua estagnação (ou morte) do cérebro pois a esta criança nunca lhe foi incutido qualquer tipo de conhecimento ou modos de vida. Os cérebros activos sobrevivem, mas os que não praticam qualquer acção expiram porque as ligações não utilizadas são cortadas.
O cérebro de Genie nunca foi estimulado nem amadurecido no tempo adequado, esta rapariga não passava de um ser descoordenado e intelectualmente pouco dotado. Os genes e estímulos fornecidos pelo meio ambiente interligam-se e desenvolvem o cérebro, facto que não aconteceu com Genie devido ao isolamento a que esteve sujeito e à história de vida que não pôde construir por falta de experiência.



Ana Martins

Brincar é o verbo da infância saudável

Um estudo realizado no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo verificou que as crianças que têm um maior contacto com brinquedos e jogos educativos têm um melhor desenvolvimento. A pesquisa foi coordenada pela psicóloga Paula de Souza Brichal e envolveu crianças de duas creches diferentes. Os seus resultados demonstraram que até os bebés podem tirar proveito destes jogos. Aliás, Paula afirma que “quando um bebé aperta, morde, joga, enfim, explora o brinquedo, desencadeia o prazer de estar com aquele objeto. Estas novas sensações e experiências são essenciais para seu desenvolvimento”.

Paula admite que o incentivo à exploração lúdica pode ser bastante enriquecedor relativamente a determinados aspetos da nossa formação tais como a criatividade e a comunicação. Só assim é que as crianças poderão ter um crescimento verdadeiramente completo. Na sua perspetiva, muitos professores dos jardins-de-infância preocupam-se exclusivamente com a saúde física das crianças, mas isso não é suficiente, pois Paula acredita que os benefícios destes jogos e brincadeiras se traduzem também a nível psicológico, tanto no desenvolvimento integral das crianças, como na relação que estas possuem com os funcionários. Para além disso, os brinquedos e jogos educativos não são muito dispendiosos e atendem crianças de diversas idades. 

Para a sua pesquisa, Paula selecionou um conjunto de brinquedos para oferecer às crianças. Os conjuntos eram colocados no centro de uma sala, com os brinquedos misturados, de modo a permitir que a criança escolhesse aquele que despertasse o seu interesse. O facto de os brinquedos estarem misturados é muito importante, uma vez que permite que elas manifestem as suas preferências. A energia destas experiências é expressa no mundo externo através de dor, prazer, sentimentos agradáveis e desagradáveis, assim como os primeiros sentimentos de sucesso e fracasso. Nesta exploração dos brinquedos, elas podem partilhar objetos e ainda socializar. Pode haver também situações de disputa, mas esses sentimentos são igualmente saudáveis.

O método de análise desta pesquisa baseava-se na filmagem do contato das crianças com os brinquedos, para estudar as suas reações perante novos objetos e verificar a influência desta experiência nas suas condutas afetivas. 

Foram feitas dez observações, cinco em cada uma das creches escolhidas e a análise destas situações permitiu concluir que os brinquedos constituem uma importante ferramenta para desenvolver a expressividade, abrindo um novo universo para as crianças, permitindo que estas explorem novas atividades e estabeleçam novos desafios.

Maria Oliveira

AVC - vive-se ou existe-se?

O acidente vascular cerebral ou acidente vascular encefálico, vulgarmente chamado de derrame cerebral, é caracterizado pela perda rápida de função neurológica que é a consequência do rompimento (hemorragia) de vasos sanguíneos cerebrais. O cérebro requer um fluxo constante de sangue para continuar funcionado adequadamente. Um derrame ocorre quando esse suprimento de sangue é alterado e o tecido cerebral nada recebe. Em quatro minutos de privação dos nutrientes essenciais, as células cerebrais começam a morrer.
No caso desta anomalia cerebral ocorrer sob a sua forma mais severa além das consequências da doença em si, é preciso o acompanhamento de fisioterapeutas para acompanhar a evolução do tratamento, recuperação dos movimentos, fala, digestão, etc.

É necessário, então, um acompanhamento diário para que haja, pelo menos, a mínima recuperação. O doente fica quase que completamente dependente dos que o rodeiam. Apresenta dormência nos braços e nas pernas, muitas vezes, dificuldade em falar, perda de equilíbrio, perda súbita de visão (num olho ou nos dois), vertigens, náuseas e até vómitos.
Todas estas consequências acontecem devido aos danos causados no cérebro do indivíduo em causa.


Os danos podem ser reversíveis ou irreversíveis e, infelizmente, muitas vezes são a segunda opção. O maior problema desta irremediabilidade é o facto de ser, inevitavelmente retirada a independência ao paciente. É como retirada qualquer possibilidade de liberdade. A qualidade de vida é possível, mas muito complicada já que se vive rodeado de especialistas e outras pessoas que têm de garantir que tudo se mantém estável, de acordo com as circunstâncias.
Em conclusão, é necessário prevenir (ao máximo) este “acidente” pois as consequências são quase sempre irremediáveis. O cérebro é o órgão central do nosso organismo, é vital, é essencial. Devemos fazer de tudo para o preservar e tentar lidar com as consequências inevitáveis da melhor forma possível.
Cesarina Ferreira

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Plasticidade do Cérebro

Os nossos cérebros são fisicamente diferentes uns dos outros, pois este modifica-se ao longo de toda a vida, consoante as experiências vividas pelo sujeito. Por este motivo, não existem dois cérebros iguais, pois não há no mundo, nenhuma pessoa que seja totalmente igual a outra, e pelo menos até agora, ainda não há ninguém clonado entre nós; e mesmo que existisse, duvido que seria igual ao original. Pois este viveria num outro tempo e lugar, passaria por outras experiências, conheceria outras pessoas, ouviria outras músicas, enfim, teria outra interacção com as pessoas e seus costumes. Nem mesmo nós somos hoje o que fomos ontem. As coisas mudam com uma rapidez impressionante, e por vezes temos mesmos que nos esforçar bastante para conseguir acompanhar este mundo em constante mudança.

Quando nascemos o nosso cérebro não está totalmente desenvolvido, mas é esta prematuridade, este inacabamento, que nos permite uma melhor e mais eficaz adaptação a novas situações ao longo da nossa vida, pois como temos um programa genético aberto, no qual apenas estamos parcialmente programados, ou seja, existe apenas uma programação de índole biológica e não um sistema de instintos que determine o nosso comportamento face a uma determinada situação, temos a possibilidade de nos adaptarmos a um ambiente em mudança, inventando assim novas soluções para os problemas com que nos deparamos, compensando desta forma as nossas limitações anatómicas.
Simultaneamente, desenvolve-se assim um processo de individuação, ou seja, as experiências vividas por cada indivíduo, marcam a estrutura do nosso cérebro favorecendo assim a singularidade. Desta forma, o principal motor de individuação é a plasticidade do cérebro, ou seja, a sua capacidade de se modificar, de se moldar ao longo da vida por efeito das experiências vividas, sempre no sentido de uma melhor adaptação ao meio. Sendo a plasticidade cerebral por sua vez a condição necessária à aprendizagem. E como ser o ser humano é um ser prematuro, pois o processo de desenvolvimento do cérebro continua após o nascimento e desenvolve-se de uma forma lenta, a lentificação constitui uma vantagem, pois possibilita uma maior estimulação do meio, e portanto uma maior aprendizagem, mas apesar de este processo de desenvolvimento ser muito lento, como referi anteriormente, não é pejorativo, pois como somos ser sociais necessitamos da ajuda dos outros, que são fundamentais para a construção do “eu”.
Voltando ao assunto fulcral, o cérebro humano, este está dividido em dois hemisférios, sendo que cada um deles se especializou em funções diversas, contudo funcionam de modo integrado como um todo. Os hemisférios cerebrais controlam a parte oposta do corpo, porque os feixes nervosos se cruzam no caminho.
O cérebro funciona de uma forma sistémica, pois as suas capacidades, não dependem só de si mesmas, mas também do funcionamento integrado das outras áreas cerebrais. Por isso, constatou-se que quando uma função é perdida devido a uma lesão, esta pode ser recuperada por uma área vizinha, designando-se este processo, por função vicariante ou de suplência.
Desta forma, podemos afirmar que o nosso cérebro é um sistema unitário que trabalha como um todo de forma interactiva.

Em suma, cada cérebro é um passo em frente na Humanidade, pois as suas diferenças de sujeito para sujeito ultrapassam as definições genéticas e as experiências vividas por cada um de nós, desde as intra-uterinas, como ao longo de toda a vida são muito diferentes, ou pelo menos atribuímos significados diferentes às coisas, consoante a nossa história pessoal.
A individuação torna as produções culturais mais complexas, pois como todos temos uma maneira de pensar diferente, e arranjamos diferentes soluções para os obstáculos que se apresentam ao longo do nosso efémero percurso de vida, o nosso cérebro desenvolve-se de maneira bem diferente.
Mas, como costumamos dizer, várias cabeças pensam melhor que uma só, por isso como existem várias pessoas espalhadas pelo mundo a pensarem em formas de tornar este mundo melhor, como por exemplo formas de erradicar determinadas doenças e assim melhorar a nossa qualidade de vida, devíamos aproveitar melhor as capacidades que temos, ou mesmo as capacidades que temos possibilidade de desenvolver; Porque apesar deste mundo, muito provavelmente, nunca vir a ser uma utopia, devemos torná-lo melhor a cada dia, e isso está nas mãos dos seres humanos que são a espécie dominante do planeta, e por isso têm o dever de assumir esta posição.
Ricardo Gonçalves

Alzheimer


A doença de Alzheimer é uma demência degenerativa. Este conceito remete para uma alteração global do funcionamento cognitivo. É uma doença que começa com perturbações de memória em que o doente começa por apresentar queixas frequentes de esquecimentos do local onde colocou determinados objectos. 

Numa fase inicial o doente têm consciência da sua situação, mas à medida que a doença progride o doente vai perdendo a consciência da sua doença e das suas dificuldades. 
Os problemas de linguagem também começam a ser cada vez maiores. O doente durante o seu discurso tem alguma dificuldade em encontrar as palavras e com o evoluir da doença, ao não conseguir encontrar a palavra certa, cria parafrases (palavras sem significado). A sua linguagem começa a ser cada vez mais confusa e a fazer cada vez menos sentido. A compreensão da linguagem também começa a ser cada vez mais difícil para o doente de Alzheimer. Esta situação começa muitas vezes por trazer conflitos entre a o doente e a sua família, que não o entende e este que não se consegue fazer entender. Para agravar esta problemática, as alterações comportamentais e mudanças de personalidade também se começam a manifestar numa fase mais avançada da doença. Podem manifestar sintomas depressivos como, apatia, desinteresse, desmotivação, sintomas ansiosos tais como, ansiedade generalizada, fobias, perturbações obsessivo-compulsivas. Podem manifestar também comportamentos agressivos, desinibição sexual ou até mesmo ideias delirantes.

A doença de Alzheimer é também caracterizada por perturbações Práxicas, em que o doente começa a ter dificuldade na execução de gestos desde os mais simples tais como, dizer adeus, fazer o sinal de chamamento, benzer-se, até aos mais complexos, tais como servir-se de uma tesoura ou vestir-se.
O doente começa também por perder capacidades de orientação quer no espaço, em que acontece muitas vezes o doente perder-se mesmo perto de casa e mais tarde dentro da própra casa, quer no tempo, em que o doente não sabe nem em que dia e mês está e muitas vezes nem no ano em que se encontra.
O doente vai progressivamente perdendo também a capacidade de se lembrar de rostos das pessoas. Para finalizar a doença de Alzheimer é muito relacionada com a idade, afectando as pessoas com mais de 50 anos. A estimativa de vida para os pacientes situa-se entre os 2 e os 15 anos. Como muitas doenças, esta também não tem cura mas pode ser tratada para que os sintomas sejam retardados.
Para melhor compreender esta doença, nada melhor do que ver o filme "Iris".

Ana Martins


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Loucos mas génios!


Todo o génio possui uma pontinha de loucura. E para conseguirmos compreender estas mentes brilhantes (se é que é possível fazê-lo) é necessária uma análise complexa que não se encontra ao alcance de todos. Estes seres tão rebuscados e, muitas vezes, incompreendidos são muitas vezes o fruto de uma sociedade comodista com medo de arriscar. Com medo do avanço. São, portanto, importantes focos da revolução capaz de fazer evoluir esta máquina de mundo que rapidamente caminha para mudança (boa ou má, conforme as perspetivas).
Podemos, então, relacionar esta incapacidade para compreender aquilo que é diferente e potencialmente revolucionário com a “loucura” destas “mutações” espirituais. Contudo, convém referir que estas raridades se encontram dispersas na variedade de especializações do nosso dia a dia. E, diz o especialista Marck Wilson que “…de muitos artistas sempre se disse que não batiam lá muito bem da cabeça. Pois agora aumentam as evidências científicas de que a criatividade e a doença mental andam, de facto, muito próximas”.

Esta afirmação encontra-se no contexto do estudo da mente de artistas, na área da pintura, como Van Gogh, Munch e até mesmo Pablo Picasso. O que podemos dizer acercas destes pintores é que o célebre poder criativo de todos eles caminhava lado a lado com uma instabilidade psíquica claramente dotada de traços patológicos. Com isto, concorda também o escritor e psicólogo Edgar Allan Poe ao refletir acerca de uma das suas mais famosas afirmações “Resta saber se a loucura não representa, talvez, a forma mais elevada da inteligência.”.
Não obstante, se prestarmos atenção, eventualmente, daremos conta da existência de génios contemporâneos. No mundo do futebol, por exemplo, pudemos em tempos, acompanhar a genialidade de uma das suas maiores estrelas. Maradona é amplamente considerado um dos maiores, mais famosos e mais polémicos jogadores do séc.XX. Reunia inteligência, vontade e talento, com dribles, habilidade para mudar drasticamente sua velocidade e dar remates surpreendentes. A carreira de Diego.M foi, porém, repleta de controvérsias (como não podia deixar de ser). Entre estas, destaca-se o seu envolvimento com drogas, um vício que acabou por arruiná-lo, deformando-o fisicamente (ainda que temporariamente).

Quanto à categoria musical, este cenário não e menos rico em mentes de inacreditável criatividade. Temos um variadíssimo leque de artistas que se caracterizam como génios. Desde Luciano Pavarotti, Jimi Hendrix, Amy Winehouse, Kurt Kobain até (o ainda hoje) rei da Pop – Michael Jackson. Este último, tal como Maradona foi alvo de muita polémica em relação a muitas atitudes duvidosas que apesar de nunca provadas, geraram grande controvérsia em volta do artista.

O cantor foi e continua a ser, obviamente, um inegável génio da música, pois soube como se tornar num criador invejável, possuidor de uma mente irrequieta que inovou, inventou e reinventou maneiras de dançar, passos, coreografias, além da própria linguagem dos vídeo clipes, criando em seu redor uma verdadeira legião de seguidores de diferentes gerações.
Em jeito de conclusão, é conveniente afirmar que todos podemos ser artistas, todos nós possuímos uma pontinha de loucura. Cabe-nos a nós descobri-la e torná-la em arte que pode ser mais uma gota de combustível. Combustível esse que contribuirá para a evolução do motor da humanidade sonhadora. E tal como todos estes célebres nomes que mencionei, como artistas, ficam as suas majestosas obras que o tempo jamais irá apagar e atingem, assim, a imortalidade espiritual.
Cesarina Ferreira

Idade não traduz invalidade

Como sabemos, as capacidades físicas das pessoas tendem a diminuir, sendo geralmente um idoso muito mais incapacitado fisicamente do que um jovem.
Porém, isto não significa que as capacidades mentais dos idosos sejam menores, aliás, como demonstra um estudo feito pela Universidade de Ohio nos Estados Unidos da América, esta afirmação pode muito bem ser apagada das ideias da sociedade.
Este estudo demonstra que os cérebros idosos de 70 anos podem estar perfeitamente aptos para competirem com os mais jovens de 25 anos, em algumas situações, uma vez que ambos demoram, por exemplo, o mesmo tempo a tomarem decisões em determinadas situações, com igual preocupação em obter resultados exatos nas tarefas em vez de velocidade.
Os pesquisadores estudaram como pessoas de diferentes idades se comportam quando postas à prova em diferentes testes cognitivos que incluem adivinhar o número de asteriscos num ecrã, e identificar palavras através de sequências de letras.

A uma pesquisa posterior foram adicionados jovens desde a escola primária até ao secundário e constatou-se que as crianças mais jovens são mais lentas nas tarefas em que se tem de tomar uma decisão.
Segundo palavras do pesquisador Radcliff, "As crianças mais jovens não são capazes de fazer um uso tão bom das informações que lhes são apresentadas, por isso eles são menos conformes, o que irá evoluir à medida que a sua maturidade evolui".
Os indivíduos com idades compreendidas entre 60 e mesmo 90 anos tinham também um tempo de resposta mais lento para essas tarefas, mas os investigadores concluíram que estes apenas demoraram mais tempo porque queriam certificar-se de que respondiam com precisão. 
Em jeito de conclusão, o investigador Gail McKoon afirma que os idosos, não querem cometer qualquer tipo de erro em qualquer tarefa que desempenhem, o que faz deles mais lentos sendo esta mentalidade difícil de lhes arrancar, porém, com a prática será possível.

Joaquim Oliveira

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Nenhum osso é tão duro de roer!

Cesar Millan Favela é um escritor, apresentador de televisão e treinador canino. Fundador do Centro de Psicologia Canina em Los Angeles, Cesar apresenta o programa “Dog Whisperer”. No ano 2005 foi premiado pela National Humane Society, uma organização norte-americana de proteção aos animais, pelo seu trabalho de reabilitação de cães abandonados. Cesar é o especialista mais requisitado dos Estados Unidos na sua área, sendo considerado um treinador brilhante pela sua capacidade quase mágica de lidar com cães. Ora, acredita-se que esta capacidade é o resultado da compreensão e da utilização de estudos de Psicologia Canina.
O trabalho deste homem consiste em ajudar as pessoas a resolver os problemas comportamentais que os seus cães manifestam, restaurando o equilíbrio natural da mente canina. Cesar admite que os cães mais primitivos tinham determinadas tarefas tais como farejar, capturar as presas e correr por exemplo. Porém, atualmente, a maioria dos cachorros desempenham a função de animais de companhia. Como tal, são mimados através de camas confortáveis, brinquedos, guloseimas e muito carinho. 

O que muitas pessoas se esquecem é que estes cães possuem os mesmos instintos inatos de explorar territórios, vaguear pelas redondezas e procurar alimento, e para muitos, estas necessidades não são satisfeitas. É por isso que na sociedade moderna muitos cães acabam por desenvolver problemas comportamentais sérios, como a agressividade, a ansiedade, obsessões ou fobias.

Outra teoria interessante de Cesar baseia-se na seguinte expressão: “Os cães são o nosso espelho”. Isto significa que os cães captam as nossas emoções, mesmo que não nos apercebamos de tal ocorrência. A linguagem dos cães (e a de todos os animais) é a energia. A verdade é que estamos constantemente a comunicar com os nossos cães através da nossa energia. Ou seja, se estamos nervosos, eles ficam nervosos; se estamos tensos, eles ficam tensos; se estamos agitados, eles ficam agitados. Como tal, Cesar realça a importância de manter uma energia equilibrada quando nos encontramos perto dos nossos cães.

Cesar acredita que os animais mudam de comportamento assim que os humanos também mudam. Os cães baseiam a sua forma de agir na nossa maneira de proceder. Isto significa que se nós não agirmos como líderes, eles vão tentar ocupar esse papel. Para além disto, se o nosso cão não possuir aquilo que necessita a nível psicológico, ele vai demonstrar isso de algum modo. Vai expressar a sua frustração através de problemas comportamentais. Em termos de necessidades biológicas, é total responsabilidade do dono certificar-se de que o animal tenha sempre água limpa e alimento, bem como cuidados veterinários.
Cesar Millan afirma ainda que a confiança e o respeito são os elementos fundamentais de qualquer relacionamento saudável, nomeadamente com os nossos cães. Satisfazer as necessidades dos animais em relação a exercícios, disciplina e carinho é também essencial para manter uma boa relação com eles. 

Maria Oliveira

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

"Eros" uma vez...

As relações íntimas são um tipo particular de interação social que apresenta características próprias. Se pensarmos acerca das relações que estabelecemos com os outros, é possível reconhecer que existem diferentes níveis de intimidade. Ora, a expressão de intimidade mais significativa e mais estudada é talvez o amor. O psicólogo norte-americano Robert Sternberg formulou um modelo segundo o qual o amor englobaria três dimensões ou três componentes distintas: intimidade, paixão e compromisso. A intimidade corresponde a sentimentos que visam a proximidade emocional, a compreensão, a confiança mútua e a partilha. É por isso uma componente emocional. A paixão, por sua vez, baseia-se no desejo sexual, na vontade de estar com o outro, pelo que é uma componente motivacional. O compromisso consiste na intenção de comprometimento em manter uma relação amorosa, pelo que assume um caráter cognitivo. 

Os investigadores tentaram identificar as características que estabelecem a diferença entre amar e gostar, o amor romântico e o amor companheiro. A partir das suas pesquisas, puderam concluir que o amor não é apenas gostar em maior quantidade, mas sim um estado psicológico qualitativamente diferente. Ou seja, o amor romântico, contrariamente ao amor companheiro, inclui elementos de paixão, proximidade, fascinação, exclusividade, desejo sexual e uma constante preocupação. Quando amamos alguém, idealizamos o nosso parceiro, exagerando as suas qualidades e minimizando os seus defeitos. É um estado de envolvimento muito intenso com outra pessoa, no qual existe uma excitação fisiológica. 

O amor companheiro corresponde ao afeto que sentimos por um conjunto de pessoas com quem temos relações fortes, como por exemplo a família e os amigos e outras pessoas que nos são muito próximas. Este amor é marcado por uma amizade muito íntima, cuidado, ternura e respeito. Como seria de esperar, o amor apaixonado é objeto da maior curiosidade e interesse por parte dos psicólogos. E uma questão que geralmente se coloca é a seguinte: “Será que o amor romântico é um sentimento universal, presente em todas as culturas humanas?”. Segundo a antropóloga Helen Fischer, o amor romântico é de facto universal. Afirma ter chegado a esta conclusão após ter reunido, juntamente com outros investigadores, provas evidentes da sua presença em mais de 150 sociedades diferentes. Por exemplo, é possível ler poemas de amor da civilização suméria que evocam exatamente os mesmos sentimentos românticos dos poetas dos nossos dias. 

Em todo o mundo existem canções, poemas, esculturas, pinturas, romances, mitos, lendas relacionados com o amor. Isto significa que o amor se manifesta de diferentes formas, em diferentes sociedades e em épocas históricas distintas. Apesar de todos estes dados, importantes para o conhecimento do amor, qualquer definição que nos seja apresentada não nos satisfaz totalmente. Porém, é esse mesmo mistério que torna a definição do amor tão subjectiva e controversa e que confere uma certa magia em torno desse elemento fundamental na vida de qualquer indivíduo.

Maria Oliveira
Eros - Segundo a mitologia grega, era o deus do amor.