segunda-feira, 16 de abril de 2012

O cérebro de um poliglota

Nos dias de hoje é cada vez mais importante saber falar vários idiomas. O que muitas pessoas não sabem é que, para além de aumentar as hipóteses de conseguir uma boa colocação no mercado de trabalho, ser bilíngue é uma preciosa ajuda na proteção contra os sintomas de demência. Este último facto é apoiado por uma pesquisa publicada na revista Trends in Cognitive Sciences. Esta pesquisa, por sua vez, mostra que o bilinguismo pode melhorar a chamada “reserva cognitiva”, provocando assim o mesmo efeito protetor que a atividade física ou mental estimulante tem no cérebro, o que pode adiar o início dos sintomas nas pessoas que sofrem com demência.

"Estudos anteriores estabeleceram que o bilinguismo tem um efeito benéfico sobre o desenvolvimento cognitivo em crianças", afirma Bialystok, num comunicado. "Para o nosso estudo, foram usados métodos comportamentais e de neuro-imagem para examinar os efeitos do bilinguismo na cognição em adultos também." 

A Dra. Bialystok e os seus colegas declararam que a capacidade de dominar duas línguas, juntamente com a necessidade de selecionar a mais apropriada de acordo com as situações, reúne regiões do cérebro que são fundamentais para a atenção geral e o controlo cognitivo. Em suma, a utilização destas redes de controlo cognitivo para o processamento da linguagem bilíngue pode reconfigurar e fortalecer estas  redes, aumentando a "flexibilidade mental", a capacidade de adaptação a mudanças e de processar informações de forma eficiente.
Maria Oliveira

Imperativo Categórico

Em termos simples, eis o que o grande filósofo alemão Immanuel Kant chamou de imperativo categórico: você deve agir sempre baseado naqueles princípios que desejaria ver aplicados universalmente.
Em termos simples, eis o que o grande filósofo alemão Immanuel Kant chamou de imperativo categórico: você deve agir sempre baseado naqueles princípios que desejaria ver aplicados universalmente.

Porque "imperativo categórico"?
Imperativo, porque é um dever moral.
Categórico, porque atinge a todos, sem exceção.
Ao introduzir a ética em sua obra filosófica, Kant fez surgir uma nova versão da antiga Regra de Ouro, aquela regra ditada pelos grandes Mestres da humanidade: "Faça para os outros o que você gostaria que fizessem a você."

Kant ampliou a regra para algo assim: "Faça para os outros o que gostaria que todos fizessem para todos."

Com isso, Kant queria evitar o problema das diferentes ideias que cada pessoa tem sobre o que gostaria que se fizesse a elas. Queria enfrentar o "relativismo moral", essa moralidade circunstancial tão generalizada hoje em dia: a noção de que o que é certo depende da situação ou do contexto.

Ele não concordava com a doutrina do utilitarismo, ou seja, a de que "os fins justificam os meios". Como podemos nortear nossas ações com base nos resultados, se até mesmo os planos mais bem traçados podem ser desvirtuados? O resultado do que fazemos, muitas vezes, não é absolutamente o que pretendíamos, portanto é um desvirtuamento moral basear nossos julgamentos nos resultados.

Então, como agir com segurança? Segundo Kant, se quisermos ser objetivos, temos que agir, não segundo os fins, mas segundo princípios universais. Princípios universais e não regras circunstanciais.

Hélder Araújo

sábado, 14 de abril de 2012

Viver conformado é viver como um “cadáver adiado”


O conformismo é o resultado de um conjunto de lideranças, muitas vezes, mal sucedidas. Todos somos líderes de algum grupo, quanto mais não seja somos líderes do nosso “grupo de pensamentos”. Temos sempre uma alternativa àquela que nos parece ser a mais fácil e que provavelmente funciona a curto prazo.
Podemos definir o conceito conformismo como sendo uma forma de influência social que provém do facto de uma pessoa mudar o seu comportamento ou atitudes perante as mais variadas situações por efeito da pressão do grupo em questão. Agora imaginemos que todos agiam segundo os outros, ou seja, sem tomar as suas próprias decisões. A sociedade não evoluiria e o desenvolvimento seria um termo desconhecido no comum da mesma. Se temos opiniões diferentes dos outros membros de um determinado grupo, isso é algo positivo. Devemos expressar essas diferenças de opinião e ao fazê-lo de forma oportuno poderemos então vir a contribuir para esse tal desenvolvimento. Às vezes é mesmo precisa uma revolução de mentalidades para mudar um problema que já se encontra enraizado num determinado grupo de pessoas. A revolução, nem sempre pontualmente, pode ser a única solução.

Como temos vindo verificar, as sociedades em geral, e os grupos sociais que as constituem, procuram manter a coesão através do respeito pelas normas e regras vigentes. As normas são o instrumento de controlo social e, por isso, dissemos que o conformismo é inerente è manutenção dos grupos sociais. O desvio à norma, a desobediência às regras, é objeto de censura social, que se manifesta através de críticas e sanções. No entanto, todos sabemos que ao longo dos tempos, foi o desrespeito pelas normas e padrões de comportamento que conduziram a mudanças muito significativas a todos os níveis.
E é necessário que sejamos inconformistas para realizar estas mudanças. O inconformismo define-se como sendo uma adoção de conceções, atitudes e comportamentos que não respondem às expectativas do grupo. As pessoas em que a pertença ao grupo constitui uma parte importante do seu autoconceito têm mais probabilidades de se conformarem devido à influência normativa: se a pertença ao grupo não tiver essa importância, é menos provável submeterem-se às normas/regras do grupo.
No meu ponto de vista, ser-se conformista é sinónimo de se viver (de acordo com uma expressão utilizada por Fernando Pessoa) como um “cadáver adiado”. E o que é que isto significa? Se estivermos sempre a “levar” a nossa vida cumprindo sempre todas as regras, somos só mais um pedaço de carne no meio do universo que acabará por se degradar. Se fizermos a diferença, poderemos morrer fisicamente mas imortalizamos o nosso nome e os nossos feitos.
Cesarina Ferreira

sexta-feira, 23 de março de 2012

Lobos Cerebrais

No cérebro há uma distinção visível entre a chamada massa cinzenta e a massa branca, constituída pelas fibras (axónios) que entreligam os neurónios. A substância cinzenta do cerebro, o córtex cerebral, é constituído corpos celulares de dois tipos de células: as células de Glia - também chamadas de neurôglias - e os neurónios. O córtex cerebral humano é um tecido fino (como uma membrana) que tem uma espessura entre 1 e 4 mm e uma estrutura laminar formada por 6 camadas distintas de diferentes tipos de corpos celulares de neurônios. Perpendicularmente às camadas, existem grandes neurônios chamados neurônios piramidais que ligam as várias camadas entre si e representam cerca de 85% dos neurônios no córtex. Os neurônios piramidais estão entreligados uns aos outros através de ligações excitatórias e pensa-se que a sua rede é o «esqueleto» da organização cortical. Podem receber entradas de milhares de outros neurônios e podem transmitir sinais a distâncias da ordem dos centímetros e atravessando várias camadas do córtex. Os estudos realizados indicam que cada célula piramidal está ligada a quase tantas outras células piramidais quantas as suas sinapses (cerca de 4 mil); o que implica que nenhum neurônio está a mais de um número pequeno de sinapses de distância de qualquer outro neurônio no córtex.
Embora até há poucos anos se pensasse que a função das células de Glia é essencialmente a de nutrir, isolar e proteger os neurônios, estudos mais recentes sugerem que os astrócitos podem ser tão críticos para certas funções corticais quanto os neurônios.
As diferentes partes do córtex cerebral são divididas em quatro áreas chamadas de lobos cerebrais, tendo cada uma funções diferenciadas e especializadas. Os lobos cerebrais são designados pelos nomes dos ossos cranianos nas suas proximidades e que os recobrem. O lobo frontal fica localizado na região da testa; o lobo occipital, na região da nuca; o lobo parietal, na parte superior central da cabeça; e os lobos temporais, nas regiões laterais da cabeça, por cima das orelhas.
Os lobos parietais, temporais e occipitais estão envolvidos na produção das percepções resultantes daquilo que os nossos órgãos sensoriais detectam no meio exterior e da informação que fornecem sobre a posição e relação com objetos exteriores das diferentes partes do nosso corpo.

Hélder Araújo

quinta-feira, 22 de março de 2012

Art Therapy - A arte de viver bem

O acidente vascular cerebral ou acidente vascular encefálico é caracterizado pela perda rápida de funções neurológicas, por sua vez resultante do entupimento (isquemia) ou rompimento (hemorragia) de vasos sanguíneos cerebrais. É uma doença de início súbito que pode provocar consequências graves que exigem tratamento especializado. Segundo uma pesquisa realizada na Escola de Enfermagem da Universidade Tor Vergata, em Roma, pessoas que sofreram um AVC e que tiveram contacto com expressões artísticas apresentam uma melhor qualidade de vida.

O estudo envolveu cerca de 200 pacientes vítimas de AVC, com idade média de 70 anos. Estas pessoas foram questionadas acerca dos seus gostos relativamente a diversos tipos de arte. Destes pacientes, 125 mostraram-se interessados por arte. Ora, os resultados deste estudo verificaram que estes mesmos pacientes apresentavam melhores níveis de saúde em geral, nomeadamente mais facilidade em andar e mais energia.

Segundo o doutor Ercole Venolle, professor assistente em ciência da enfermagem, os pacientes pareciam estar mais felizes e exibiam níveis de ansiedade e depressão significativamente mais baixos. "Sobreviventes de AVC, que viam a arte como parte integrante do seu estilo de vida anterior, expressando apreço pela pintura, música e teatro, apresentaram melhores habilidades de recuperação do que aqueles que não o faziam”, afirmou Vellone.

Em suma, o grupo de pacientes que estimava as artes apresentou um quadro clínico bastante mais satisfatório do que o quadro relativo ao outro grupo. Como tal, estes estudos são muito importantes na medida em que nos levam a concluir que pacientes que se relacionem com as artes podem ter uma melhor qualidade de vida, independentemente da gravidade do acidente vascular cerebral. Os resultados sugerem que a arte pode provocar mudanças a longo prazo no cérebro, que por sua vez o ajudam a recuperar de forma mais rápida e eficaz.

"É na arte que o homem se ultrapassa definitivamente."
Simone de Beauvoir

Maria Oliveira

Hemisférios Cerebrais

O hemisfério dominante em 98% dos humanos é o hemisfério esquerdo, é responsável pelo pensamento lógico e competência comunicativa. Enquanto o hemisfério direito, é responsável pelo pensamento simbólico e criatividade, embora pesquisas recentes estejam contradizendo isso, comprovando que existem partes do hemisfério esquerdo destinados a criatividade e vice-versa. Nos canhotos as funções estão invertidas. O hemisfério esquerdo diz-se dominante, pois nele localiza-se 2 áreas especializadas: a Área de Broca (B), o córtex responsável pela motricidade da fala, e a Área de Wernicke (W), o córtex responsável pela compreensão verbal.
O corpo caloso, localiza-se no fundo da fissura inter-hemisférica, ou fissura sagital, é a estrutura responsável pela conexão entre os dois hemisférios cerebrais. Essa estrutura, composta por fibras nervosas de cor branca (freixes de axónios envolvidos em mielina), é responsável pela troca de informações entre as diversas áreas do córtex cerebral.
O córtex motor é responsável pelo controle e coordenação da motricidade voluntária. Traumas nesta área causam fraqueza muscular ou até mesmo paralisia. O córtex motor do hemisfério esquerdo controla o lado direito do corpo, e o córtex motor do hemisférios direito controla o lado esquerdo do corpo. Cada córtex motor contém um mapa da superfície do corpo: perto da orelha, está a zona que controla os músculos da garganta e da língua, segue-se depois a zona dos dedos, mão e braço; a zona do tronco fica ao alto e as pernas e pés vêm depois, na linha média do hemisfério.
O córtex pré-motor é responsável pela aprendizagem motora e pelos movimentos de precisão. É na parte em frente da área do córtex motor correspondente à boca que reside a Área de Broca, que tem a ver com a linguagem. A área pré-motora fica mais ativa do que o resto do cérebro quando se imagina um movimento, sem o executar. Se se executa, a área motora fica também ativa. A área pré-motora parece ser a área que em grande medida controla o sequenciamento de ações em ambos os lados do corpo. Traumas nesta área não causam nem paralisia nem problemas na intenção para agir ou planear, mas a velocidade e suavidade dos movimentos automáticos (ex. fala e gestos)fica perturbada. A prática de piano, ténis ou golfe envolve o «afinar» da zona pré-motora - sobretudo a esquerda, especializada largamente em atividades sequenciais tipo série.
Cabe ao córtex do cerebelo, fazer a coordenação geral da motricidade, manutenção do equilíbrio e postura corporal. O cerebelo representa cerca de 10% do peso total do encéfalo e contém mais neurônios do que os dois hemisférios juntos.
O eixo formado pela adeno-hipófise e o hipotálamo, são responsáveis pela auto regulação do funcionamento interno do organismo. As funções homeostáticas do organismo (função cárdio-respiratória, circulatória, regulação do nível hídrico, nutrientes, da temperatura interna, etc) são controladas automaticamente.

Hélder Araújo

Raça DeMente!

Como é do conhecimento geral, o racismo é uma realidade. O racismo não é nada mais, nada menos do que uma tendência do pensamento para dar demasiada importância à noção da existência de distintas raças humanas, normalmente relacionando características físicas hereditárias e determinados traços de carácter e inteligência ou manifestações culturais. O racismo não é uma teoria científica, mas sim um conjunto de opiniões pré concebidas que sobrevalorizam as diferenças biológicas entre os seres humanos, atribuindo superioridade a alguns de acordo com a matriz racial.

Contudo, não podemos considerar que a mente humana é independentemente defensora de uma raça. Nenhum ser humano nasce com cultura, tal como nenhum ser humano nasce racista, é algo que se adquire. A sociedade é sim, portadora de qualquer pensamento racista em qualquer indivíduo. A sociedade é a única responsável por todos os comportamentos de marginalização.
Na mente liberta das influências de sociedades preconceituosas (o que é praticamente impossível) só existe uma raça, a raça humana. Tudo aquilo que nos difere a nível biológico e que dá origem às ditas “raças” é o genótipo e sua consequente expressão (o fenótipo). No entanto, todas as nossas funções vitais se dão de igual modo, incluindo as cerebrais. Todos temos um cérebro, com várias funções, com vários lobos, com conexões nervosas que, entre outras coisas, nos permitem realizar atividades cerebrais complexas como raciocinar (elaborar opiniões através da interligação de pensamentos). A questão é mesmo essa. Não a maneira como se desenvolvem estes processos mentais mas sim o seu conteúdo. Se desde sempre todos os homens fossem tratados como iguais independentemente da sua raça, o racismo seria um termo desconhecido, fora de todos os dicionários da humanidade. Isto porque, tal como já mencionei, nenhum homem nasce racista. Esta ideia é-lhe instituída pela sociedade. Resta saber se se irá manter ou não. É aí que entra a personalidade de cada um, ou seja, a capacidade de tomar as próprias decisões e formar as próprias opiniões.
Na minha opinião o racismo é tudo menos plausível. Os argumentos são absurdos a as ações que retratam este preconceito ainda mais. É necessário mudar mentalidades e fazer a nossa pequena diferença diariamente. Muitas “pequenas diferenças” irão, um dia mais tarde, fazer toda a diferença. Diz não ao racismo e deixa a tua mente fazer aquilo que ela faz de melhor mas não permitas a influência de algo que não é natural, o racismo. Ou então, se vais defender a superioridade de certas raças ao menos arranja um argumento que seja mais do que aquilo que os olhos vêm. Muito provavelmente, missão impossível.

Cesarina Ferreira

sexta-feira, 16 de março de 2012

O Líder, a liderança

Para gerir um grupo de trabalho, para ser capitão de uma equipa de futebol ou para comandar uma grande empresa, entre outro tipo de empregos é necessário haver um estilo de liderança para que o sucesso seja concretizado. Um lider pode ser mais ou menos flexível, pode ser ser mais ou menos compreensivo, pode ser mais ou menos liberal. O líder é responsável pelas estratégia e pelos objetivos a serem alcançados. Então temos vários tipos de liderança como a liderança autocrática,liderança democrática e liderança liberal.

A liderança autocrática é uma liderança autoritária em que o líder é focado apenas nas tarefas. O líder toma decisões individuais, desconsiderando a opinião dos liderados. O líder é quem ordena, impõe sua vontade, centralizando todas as decisões. Este tipo de liderança caracteriza-se pela confiança na autoridade e pressupõe que os outros nada farão, se não lhes dor ordenado. Geralmente o líder não se importa com o que os liderados pensam além de desestimular inovações. O líder autocrático julga-se indispensável, mostrando que só a sua maneira de fazer as coisas é a correta. Divide pouquíssimo serviço, preferindo fazê-lo.
A liderança democrática é uma liderança em que o líder ouve todos. O líder orienta o grupo a executar suas atividades, fazendo-o participar nas tomadas de decisões. Neste tipo de liderança, todo o grupo pode e deve contribuir com sugestões. A responsabilidade do líder, é dirigir estas opiniões para que, na prática, atinjam os objetivos esperados. O líder que aplica este tipo de liderança, geralmente, tem um conceito equilibrado sobre si, não temendo que haja liderados que sejam melhores do que ele, em determinados aspectos. Para ele é fácil entender e compreender seus liderados, bem como ouvir e aceitar opiniões diferentes das suas. 
A liderança liberal ou laissez faire: Laissez-faire é a contração da expressão em língua francesa laissez faire, laissez passer, que significa "deixai fazer, deixai passar". Nesse tipo de liderança, parte-se do princípio de que o grupo atingiu a  maturidade e não necessita de supervisão de seu líder. Assim, os liderados ficam livres para pôr seus projetos em prática, sendo delegado pelo líder liberal. Este líder acha que seu principal trabalho é a manutenção do que já foi conseguido. Não dá ordens, não traça objetivos, não orienta os liderados, apenas deixa passar.



Rui Leitão

segunda-feira, 12 de março de 2012

Os grupos de pares

Primeiramente o grupo é constituído por elementos do mesmo sexo, mais tarde funde-se com grupos de sexos diferentes e por último desagrega-se o grupo para consolidar relações amorosas de casal. Os grupos de pares funcionam como fonte de afeto para alcançar autonomia dos pais. Com o corpo em fase de mudança os jovens sentem-se bem uns com os outros porque podem partilhar experiências entre si; quando se querem impor aos pais é junto do grupo de pares que procuram conselhos pois todos vivem mais ou menos as mesmas experiências.

As relações de amizade são mais igualitárias que numa família, pois nesta existem sempre os superiores hierárquicos que impõem alguma regra ou medida. A importância dada à amizade é mais notória nesta fase que em qualquer outra. Os adolescentes apoiam-se, são leais para com as suas crenças, partilham experiências, características da amizade dos adultos. O aparecimento destas características na amizade dos jovens evidencia uma fase de transição para a vida adulta e para com as suas preocupações. Quando confiam num amigo os jovens exploram os seus sentimentos e definem em conjunto a sua identidade e os seus valores pessoais. Uma amizade requer competências sociais elaboradas, o discurso é um elemento presente e os adolescentes têm de ser capazes de desenvolver uma conversa, lidar com conflitos e dar apoio. Os rapazes tendem a ter muitos amigos pois as suas amizades são mais voltadas para a acção, enquanto as amizades das raparigas são mais voltadas para a conversa e o apoio.
Quando um jovem cai na delinquência há tendência para culpar o grupo de pares. Essa propensão está errada pois o jovem procura um grupo em que se identifique, não é influenciado apenas pelo grupo, pois os jovens influenciam-se mutuamente.
Nuno Pedrosa

domingo, 11 de março de 2012

Crianças selvagens

As crianças selvagens são crianças que cresceram com contacto humano mínimo, ou mesmo nenhum. Podem ter sido por animais (frequentemente lobos) ou, de alguma maneira, terem sobrevivido sozinhas. Normalmente, são perdidas, roubadas ou abandonadas na infância e, depois, anos mais tarde, descobertas, capturadas e recolhidas entre os humanos. Os casos que se conhecem de crianças selvagens revestem-se de grande interesse científico. Elas constituem uma espécie de grau zero do desenvolvimento humano, ensinam-nos o que seríamos sem os outros, mostram de forma abrupta a fragilidade da nossa animalidade, revelam a raíz precária da nossa vida humana.

Em termos de linguagem, as crianças selvagens só conhecem a mímica e os sons animais, especialmente os das suas famílias de acolhimento. A sua capacidade para aprender uma língua no seu regresso à sociedade humana é muito variada. Algumas nunca aprendem a falar, outras aprendem algumas palavras, outras ainda aprenderam a falar correctamente o que provavelmente indicia que tinham aprendido a falar antes do isolamento.

Em termos de comportamento, as crianças selvagens exibem o comportamento social das suas famílias adoptivas. Não gostam em geral de usar roupa e alimentam-se, bebem e comem tal como um animal faria. Na medida em que não gostam da companhia humana, procuram a companhia dos animais, particularmente dos animais semelhantes à espécie dos seus pais adoptivos.

Este tipo de crianças não se riem ou choram, apesar de eventualmente poderem desenvolver alguma ligação afectiva. Manifestam pouco ou nenhum controlo emocional e, muitas vezes, têm ataques de raiva podendo então exibir uma força particular e um comportamento claramente selvagem. Algumas crianças têm ataques de ferocidade ocasionais, mordendo ou arranhando outros ou até eles mesmo.

"Será preciso admitir que os homens não são homens fora do ambiente social, visto que aquilo que consideramos ser próprio deles, como o riso ou o sorriso, jamais ilumina o rosto das crianças isoladas." Lucien Malson

Luís Lopes